Reza a Lenda

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Sinopse

Ara (Cauã Raymond) é o líder de uma gangue de motoqueiros que quer justiça para acabar com a seca que castiga o Sertão nordestino. O roubo da imagem de uma santa desperta a fúria de um coronel (Humberto Martins), e inicia uma verdadeira guerra.


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Crtica Cineweb

18/01/2016

Em Reza a Lenda, produção nacional que tem sido apelidada de Mad Max do Sertão, o arcaico e o moderno duelam pela predominância. O senso de justiça atrelado à crença religiosa impulsiona a trama e motiva os personagens, num cenário de seca apocalíptica. Dirigido por Homero Olivetto, também autor da história original, o longa acompanha uma gangue de motoqueiros que busca libertar seu povo.
 
Ara (Cauã Reymond) é o líder do grupo, que conhecemos pelos olhos da jovem Laura (Luisa Arraes), que é resgatada de um acidente nas imediações. Sem saber onde está e com quem está lidando, ela tem poucas opções, a não ser observar aquelas pessoas. E quando o grupo de motoqueiros rouba a imagem de uma santa, propriedade do poderoso Tenório (Humberto Martins), desperta a ira dele, que promete recuperá-la a todo custo.
 
O personagens também transitam entre o clichê e o novo. Tenório é o velho coronel do sertão, rico e poderoso, que usa tudo o que tem para oprimir e subjugar os mais pobres. Já Ara é um inconformado com aquela vida coberta de poeira do sertão e sangue das disputas. A fé, então, é o mediador dos embates, como também a proteção e esperança de dias melhores e chuvosos.
 
Já Laura é uma “moça da cidade” perdida no meio deste mundo que, claramente, não é o seu. Sua presença desperta o ciúme de Severina (Sophie Charlotte), a companheira de Ara. Essa personagem também foge dos clichês – talvez até daqueles que esperamos da atriz, mais conhecida por seu trabalho em novelas, mas que, aos poucos, tem se firmado em desafios no cinema, como aqui e em “Serra Pelada”. Sua delicadeza está coberta de camadas de couro e poeira do sertão, o que imprime uma dimensão ao seu trabalho.
 
Olivetto – trabalhando com um roteiro assinado por ele, Patrícia Andrade e Newton Cannito – vai por caminhos inesperados, num resultado nem sempre orgânico, mas, em boa parte do tempo, surpreendente pela criatividade na invenção de personagens e situações inusitadas – como é o caso de Pica-Pau, interpretado por Jesuíta Barbosa (Praia do Futuro), cujos olhos constantemente arregalados são a maior expressão de sua desconhecida força que vem à tona no clímax do filme; ou Galego Lorde (Julio Andrade, de Gonzaga – De Pai pra Filho), uma espécie de xamã do sertão, com quem Ara e seu grupo negociam.
 
Tecnicamente, o longa resolve-se bem nas perseguições e tiroteios, com suas piruetas e pirotecnias, embora um vilão mais bem delineado ajudaria muito. Seja pelo personagem ou a intepretação de Martins, Tenório não escapa do típico coronel de novela, previsível e destituído de nuances – a maior nota em falso do filme. 

Alysson Oliveira


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