Que viva Eisenstein! 10 dias que abalaram o México

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Sinopse

Em crise profissional, o cineasta russo Sergei Eisenstein, depois de tentar filmar em Hollywood, viaja ao México em 1931. Lá, entrega-se ao trabalho mas também a aventuras sexuais inusitadas em sua vida - era virgem ainda, aos 33 anos.


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Crítica Cineweb

29/12/2015

O veterano diretor inglês Peter Greenaway esbanja excessos visuais (alguns, como de hábito, belíssimos) para filmar Que viva Eisenstein! – 10 dias que abalaram o México, história baseada em fatos reais, sobre a atribulada passagem do renomado cineasta russo Sergei Eisenstein pelo México, em 1931.
 
É um momento de crise na vida de Eisenstein, que já filmara Greve (25), O Encouraçado Potemkin (25) e Outubro (28). Apesar da consagração, inclusive internacional, o diretor tinha problemas para prosseguir na carreira. Fora atraído a Hollywood, mas ali não conseguira filmar. Estimulado por apoiadores esquerdistas, como o escritor norte-americano Upton Sinclair, ele viaja ao México, onde filmaria o nunca concluído Que Viva México!.
 
Mesmo apoiado em fatos, o que menos interessa ao inquieto Greenaway é uma cinebiografia. O que realmente tem em vista é mergulhar de modo delirante na vida pessoal de Eisenstein que, segundo o filme, seria ainda virgem aos 33 anos e teria finalmente superado suas inibições ao ter uma tórrida aventura com seu guia mexicano, o professor mexicano Jorge Palomino y Cañedo (Luis Alberti).
 
Como sempre com Greenaway, há nudez em profusão, aqui mais masculina, e nenhuma timidez para expor uma caliente cena de sexo entre os dois homens – o que explica a recomendação etária para 18 anos, assim como a exposição de alguns dos muitos desenhos eróticos reais do diretor russo.
 
Apesar do interesse que se possa ter pelas contradições da vida de Eisenstein, que passaram também pela repressão sexual e a homofobia na terra natal (que, aliás, existe ainda hoje), o tom exagerado do filme e da interpretação do protagonista, o ator finlandês Elmer Bäck, resvalam na caricatura. Melhor seria se a direção garantisse um pouco mais de ambiguidade, deixando entrever também a genialidade do artista retratado, que aqui parece não passar de um clown excêntrico.
 
Aos 73 anos, Greenaway, autor de filmes arrebatadores como O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante (86), Afogando em números (88, prêmio de contribuição artística em Cannes) e O livro de cabeceira (96), conseguiu, com a polêmica a partir da exibição do novo filme no Festival de Berlim, em 2015, atrair novamente atenção para uma carreira ultimamente um tanto menos notória. Pelo menos seu apuro visual continua em forma, embora o mesmo não se possa dizer de seu faro e equilíbrio artístico.

Neusa Barbosa


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