As sufragistas

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Sinopse

Forçada a trabalhar desde criança como lavadeira, Maud Watts passa a interessar-se pelo movimento sufragista, que lutava pela conquista do voto feminino na Inglaterra de 1912. Ao lado da colega Violet e também de mulheres como a química Edith Ellyn, ela passa a participar dos comícios - como elas, arriscando-se a ser espancada e presa pela polícia.


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Crítica Cineweb

22/12/2015

Retratando uma das principais lutas das mulheres na Inglaterra, As Sufragistas, de Sarah Gavron, tira da invisibilidade figuras que não escreveram suas biografias e foram esquecidas ou difamadas pela imprensa de sua época, no caso, o início do século XX.
 
Misturando personagens reais, como a líder Emmeline Pankhurst (uma breve aparição de Meryl Streep), com ficcionais – que, na verdade, somam o perfil de várias militantes -, o filme roteirizado por Abi Morgan infiltra uma contagiante urgência nas manifestações, muitas violentas, que levaram à conquista do voto feminino na Inglaterra, com restrições, em 1918, e finalmente aberto a todas as mulheres, em 1928.
 
O ano da história é 1912, quando poucas evidências de discriminação podiam ser mais gritantes do que a impossibilidade legal das mulheres inglesas não só de votar, como de disputar a guarda dos filhos ou administrar os próprios bens. Elas não têm voz, portanto, nem em casa, nem no trabalho, muito menos no Parlamento.
 
O mundo do trabalho, em plena Segunda Revolução Industrial, não é leve para os homens, também. Mas mulheres como a lavadeira Maud Watts (Carey Mulligan), que se esfalfa em longas jornadas diárias, ganham salários menores do que os masculinos e ainda tem como suas tarefas o cuidado da casa, do marido (Ben Whishaw) e do filho pequeno, George (Adam Michael Dodd). Fora isso, o assédio sexual no ambiente de trabalho é a regra, vitimando garotas pobres que começam a trabalhar desde a infância, caso de Maud, funcionária da lavanderia desde os 7 anos.
 
O contato de Maud com o movimento sufragista é acidental, num dia em que ela foi ao lado mais rico de Londres fazer uma entrega, sendo surpreendida por uma passeata de aguerridas militantes femininas que quebravam vidraças para chamar a atenção.
 
Maud nem imagina que este incidente está abrindo um capítulo novo em sua vida, desencadeado pelo contato com sufragistas em seu próprio trabalho, como a colega Violet (Anne-Marie Duff), bem como de outra classe social, como a química Edith Ellyn (Helena Bonham Carter) – em cuja farmácia acontecem reuniões de mobilização feminina.
 
Ao colocar em paralelo mulheres de histórias tão diferentes, observa-se o quanto cada uma tem a perder. Certamente, Violet e Maud vivem situação mais frágil, especialmente porque não contam, como Edith, com o apoio de um marido solidário. Pobres e sem direitos legais, elas se arriscam a ficar sem empregos ou mesmo serem afastadas de seus filhos. Todas, sem exceção, estão expostas à violência policial, que é muito dura, e à prisão, sendo marcadas de perto por um rígido inspetor (Brendan Gleeson).
 
Ainda que particularize a luta feminina pelo voto através destas personagens, permitindo identificação e intimidade, o filme tem como um de seus aspectos mais eloquentes enfatizar seu aspecto coletivo, através de um retrato pulsante das manifestações públicas, em que se acompanha o deslocamento do movimento de seu caráter pacífico, no qual subsistiu por décadas, para uma radicalização maior, depois de esgotados os canais de reivindicação ao governo, levando a ataques a locais públicos, com pedras ou explosivos.
 
Centro de gravidade do filme, Carey Mulligan sustenta a ambiguidade das situações sem perder de vista a transformação heroica de sua personagem, que simboliza a alta dose de sacrifício envolvida com uma verdade toda própria.
Sem pretender ser aula de história, nem esgotar todas as questões referentes ao movimento que retrata, As sufragistas tem o mérito de resgatar os esforços de suas militantes mais anônimas. E o faz com tal autenticidade que consegue escapar da moldura de filme de época, conectando as lutas do filme com outras mais contemporâneas. Afinal, nunca é demais lembrar que há países, como a Arábia Saudita, em que o direito de voto feminino acaba de ser conquistado, ainda assim, com restrições. E que não faltam países em que às mulheres é negado o direito de estudar ou mesmo de sair à rua desacompanhadas de um homem.

Neusa Barbosa


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