A Marcha

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País


Sinopse

Depois de sofrer abuso policial, um jovem de origem árabe reúne um grupo de amigos, muitos também pertencentes a minorias, e juntos marcham de Marselha a Paris para protestar por melhores condições de vida e pelo fim da discriminação contra eles.


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Crítica Cineweb

22/12/2015

Apesar de produzido e lançado na França em 2013, A Marcha não poderia ser mais contemporâneo. O tema do longa do belga  Nabil Ben Yadir é intolerância e racismo – algo que está em pauta em toda a Europa no momento. O filme começa com um tiro e termina com uma marcha pacífica que mudou a vida dos imigrantes e outras minorias na França de François Mitterrand.
 
Numa noite, enquanto foge de um cachorro raivoso, Mohamed (Tewfik Jallab) leva um tiro da polícia, apenas porque estava correndo. Ele sobrevive à agressão, mas resolve protestar contra a situação, na companhia de outros amigos – a maioria jovem e de origem estrangeira – de Minguette, um bairro de baixa renda de Lyon. A ideia é fazer uma marcha desde o sul da França até Paris e, com isso, chamar a atenção da opinião pública e autoridades.
 
Inspirado em fatos reais, mas tomando algumas liberdades, o roteiro, assinado pelo diretor e Nadia Lakhdar e Ahmed Hamidi, concentra-se nos dramas individuais dos participantes do protesto mais do que num escopo panorâmico e histórico – embora não deixe de dar a devida dimensão à história. O grupo começa com poucas pessoas: além de Mohamed – personagem inspirado na figura real Toumi Djaidja –, um padre, Christophe Dubois (Olivier Gourmet), os jovens Sylvain (Vincent Rottiers) e Farid (M’Barek Belkouk), um músico (Nader Boussandel), uma canadense (Charlotte Le Bon), Kheira (Lubna Azabal) e sua sobrinha, Monia (Hafsia Herzi).
 
Não são poucas as ocasiões em que o grupo encontra hostilidade no meio do caminho – desde uma arma apontada para eles até uma suástica cravada a faca nas costas de um dos membros –, mas, ainda assim, mantém seu espírito pacifista, até quando agentes infiltrados do governo tentam provocar uma briga para os desmoralizar. Desse grupo, Kheira é a pessoa com mais consciência política, e, até por isso, irrita-se e discorda de diversos pontos e de estratégias sugeridas pelos colegas.
 
Não por acaso, o movimento do grupo por direitos sociais ecoa as rebeliões dos anos de 1960. Percorre o filme um espírito utópico daquela época, e a presença da canção California Dreamin, de 1965, serve para sublinhar essa ponte que o diretor está fazendo. Não é difícil simpatizar com o grupo e sua causa – especialmente em tempos tão obscuros como o nosso – mas o diretor, às vezes, exagera, compensando em momentos em que os protestantes são confrontados, não por seus ideais, mas por seu modus operandi.
 
Num certo momento, o filme evoca um fato real, o assassinato de Habib Grimzi, morto a facadas e lançado pela janela de um trem, em novembro de 1983, por um grupo de jovens que pretendiam alistar-se na Legião Estrangeira. É nesse momento, mais do que em qualquer outro, que o filme ressoa no presente, lembrando que, por mais que os manifestantes de três décadas atrás tenham obtido vitórias, muito resta para ser feito nas questões do racismo e da intolerância.

Alysson Oliveira


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