Victoria

Ficha técnica


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País


Sinopse

Victoria é uma jovem espanhola vivendo em Berlim. Numa noite, conhece um grupo de homens que a envolve num assalto para pagar uma dívida a bandidos. Filme rodado num longo plano-sequência de pouco mais de duas horas.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

22/12/2015

Plano-sequência – uma sequência longa, sem cortes – pode ser simplesmente um fetiche e/ou exibicionismo técnico. Poucos longas se justificam ao serem filmados dessa maneira – com exceção, por exemplo, do russo Arca Russa, de Aleksandr Sokurov, que conseguiu completar a dialética da forma e conteúdo, pois o filme e o diretor veem a história da Rússia como um fluxo contínuo, explicando-se, assim, a ausência de cortes. Já o ator alemão  Sebastian Schipper faz de seu quarto longa, Victoria, um exercício desnecessário e vazio, num plano-sequência de 135 minutos.
 
Victoria é um thriller banal que seria exibido diretamente na televisão não fosse o pretexto da ausência de cortes. Sua protagonista, que dá nome ao filme, é interpretada pela espanhola Laia Costa, interpretando uma alemã que vive em Berlim e, numa noite de balada, conhece um grupo de amigos bêbados e sem um pingo de juízo.
 
Um dos problemas do filme é sua personagem central. Victoria é insuportavelmente tapada – e o enredo depende disso, pois, fosse ela um tiquinho mais esperta, não haveria trama. Depois de conhecer esses sujeitos e perambular pelas ruas e no teto de um edifício, a garota é chamada para participar de uma ação, pois um dos homens deve favores a bandidos que o ajudaram quando estava preso. Sem hesitar, ela participa da ação.
 
Outro problema – e talvez o maior do filme – é que foi feito sem roteiro definido (apenas algumas notas sobre os rumos da ação), e isso percebe-se. Há infindáveis minutos em que Victoria, com seu inglês macarrônico e vozinha de criança, fica enrolando apenas para alongar o tempo. Se uma das maiores virtudes do cinema é a compressão do tempo a fim de criar uma narrativa por meio de imagens, Victoria deixa isso de lado, contentando-se em um amontoado de imagens. 
 
Birdman também brincava com essa forma. Mas aquele filme fingia ser um plano-sequência, nunca escondendo de fato que não o era. Isso, no fundo, tem a ver com a capacidade de percepção de cada um dos diretores – tanto o alemão Schipper, quando o mexicano Alejando G. Iñárritu, que se deu conta de ser impossível comprimir a experiência da totalidade num filme. Enquanto o diretor de Victoria também tenta fazer isso sem se dar conta do quanto fracassa em sua tentativa.

Alysson Oliveira


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