Hysteria

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Sinopse

A sobreposição de imagens abstratas, poéticas e bucólicas se misturam à turnê do espetáculo “Histerya”, realizado pelo Grupo XIX de Teatro, por 18 cidades de Santa Catarina, em 2009. Na obra, cuja interatividade com o público o mergulha em um espaço sensorial, cinco mulheres estão presas em um manicômio no século 19, diagnosticadas como histéricas. No trabalho do grupo há uma analogia com os tempos modernos que os diretores Evaldo Mocarzel e Ava Rocha transportam também para a tela.


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Crítica Cineweb

16/12/2015

O primeiro fato a se ressaltar em Histerya, o documentário de Evaldo Mocarzel e Ava Rocha, é que não se trata de um registro da peça homônima montada pelo Grupo XIX de Teatro, em 2007.  São recortes que dão partida e combustão à obra conjunta dos realizadores, que mais do que apontar a discussão do grupo, busca a harmonia entre a linguagem teatral e cinematográfica.

Para isso, os diretores recorrem a alguns recursos para dar sustentação ao filme extremamente sensorial que oferecem. Imagens abstratas, algumas bucólicas, outras dramáticas (como as do mar revolto), se mesclam ao percurso do grupo teatral por 18 cidades catarinenses (que o próprio Mocarzel identifica como road-movie), cenas da peça e sua interatividade com o público e, de forma sintomática, como as atrizes se apropriaram dos espaços (locações históricas) para dar mais vida à narrativa do espetáculo em improvisações. 

Os frames que evocam a natureza têm seu objetivo: dar introdução (e mais tarde, encerramento) ao feminino que a peça reflete. Nela, cinco mulheres estão trancafiadas em um manicômio (daí a importância da identificação do espaço como essencial) no século 19. Elas foram diagnosticadas como “histéricas”, aquilo que se convencionou como doença na época, mais colado ao preconceito machista do que ao empirismo científico.

Reconhecidos ali estão sintomas como ansiedade, depressão e mesmo revolta contra os estereótipos sociais da época, ligados ao feminino. Na interação com o público, quando as atrizes se ligam à plateia (as mulheres são separadas dos homens), nasce o diálogo com o papel atual da mulher e a identificação entre as partes.

“Eu vivo um pouco essa crise da mulher moderna… A gente vive uma outra histeria”, diz uma voz em off. Esse é outro ponto rico da produção. Não há entrevistas. Mocarzel e Rocha fogem do tradicional ao usar vozes que funcionam como mensagens do feminino, não especificamente das atrizes que compõem o espetáculo.

A experimentação da dupla, com a forte mão de Ava Rocha, responsável pela montagem, cobra seu preço, ao não ser palatável para um público maior. Um atrevimento estético, porém, muito bem-vindo, que já foi apresentado por Mocarzel em outras produções, incluindo uma versão do próprio documentário Histerya, em sua série para o Canal Brasil (em 2011), Teatro Sem Fronteiras, e que, mais tarde, também ganharia reconhecimento com a mostra Teatro SP: Novas Dramaturgias em Tempos Digitais (em 2012), com a exibição de documentários cênicos deste híbrido entre diretor e dramaturgo.

Rodrigo Zavala


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