Até que a casa caia

Até que a casa caia

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Sinopse

Rodrigo vive sob o mesmo teto que a esposa Ciça, apesar de terem rompido a relação, com um filho adolescente, Mateus. A convivência é harmoniosa até Rodrigo levar a amante, Leila, para viver com ele. Ao mesmo tempo, ele é empregado no gabinete de um deputado desonesto. Novas estruturas familiares e ética profissional se misturam levando Rodrigo ao limite.


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Crítica Cineweb

09/12/2015

Não há como assistir Até que a Casa Caia, do diretor brasiliense Mauro Giuntini, sem fazer um paralelo com a realidade fora da sala de cinema. Ele descaradamente aponta o cinismo e a falta de ética política, ao mesmo tempo em que trata de novas formações familiares, criando um paradoxo sobre o que é socialmente aceitável ou não.

É mais fácil aceitar um deputado desonesto ou um homem recém-separado que, mesmo vivendo sob o mesmo teto que a ex-mulher, leva a namorada para morar com ele, diante dos olhos do filho adolescente? Ainda mais em tempos em que figuras políticas, flagradas em roubalheiras, defendem o conceito de família como somente pai, mãe e filhos, em gênero e formato tradicionais.

Quem protagoniza esse contrassenso é o ator Marat Descartes (de Quando Eu Era Vivo), em uma atuação espirituosa, que vive Rodrigo, um professor de alfabetização para adultos. Seu programa de educação está prestes a fechar e ele elabora um plano de emergência para salvá-lo e o leva a um deputado. Vendo o potencial do rapaz para criar orçamentos, o tal congressista o contrata na hora, para servir no seu gabinete.   

Rodrigo irá saber, logo depois, que seu trabalho servirá para mascarar números de projetos de ensino e merenda escolar, que incharão os bolsos de um trio de deputados chicaneiros. Enquanto ele ainda não percebe onde se meteu, surge Leila (Marisol Ribeiro), a bela secretária que, tão logo conquistada, o protagonista leva para casa.

O problema é que Rodrigo ainda vive no apartamento da ex-mulher Ciça (Virginia Cavendish), assim como Mateus (Emanuel Lavor), o filho adolescente do casal. Uma situação pouco confortável, mas que precisa entrar nos eixos quando Leila, sem outra opção, precisa morar com eles.
 
Na conflito familiar, a relação entre as partes começa a criar fissuras, tal como na subtrama do gabinete do deputado, quando Rodrigo recebe uma mala de dinheiro por serviços prestados. O personagem, então, começa a reavaliar sua vida.
Como cinema também é uma questão de escolhas, Mauro Giuntini prefere o caminho do melodrama. Apresenta um personagem puro e valoroso, que sente-se tentado ao pecado (não por acaso, Leila é tratada como amante). Quando o comete, cria-se a crise de valores, da moral, que o levará de volta à sua verdade. O que, em Brasília, nunca se sabe qual é.

Com excelentes interpretações, o filme, no entanto, caminha para um confronto que, no final, não acontece. O mesmo poderia ser dito sobre Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, cuja construção também leva a um enfrentamento, que não existe. Mas, de novo, trata-se uma questão de escolha do autor.

Rodrigo Zavala


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