O Filho da Noiva

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Crítica Cineweb

14/01/2003

Num cinema mundial que oscila entre a celebração incondicional da juventude e o vício da piedade politicamente correta em relação à chamada "terceira idade", é uma saudável surpresa encontrar pela frente um filme que retrata os maiores de 40 simplesmente como pessoas normais - ou seja, repletos de planos e emoções.

O sonho do restaurateur aposentado Nino Belvedere (Hector Alterio) é de uma simplicidade cristalina: com mais de 70 anos, ele simplesmente quer casar-se na igreja com a mulher de toda a sua vida, Norma (Norma Aleandro). Parece fácil, já que eles são casados legalmente há décadas. O problema é que ela tem mal de Alzheimer, o que a priva de discernimento por boa parte do tempo, que ela passa num asilo.

Isto posto, pode-se ter a impressão de que vem aí um melodramão choroso, que provocará o espectador até o limite de sua sensibilidade, levando-o a derramar quantas lágrimas por minuto ele for capaz. Nada disso. O centro do filme é assumidamente romântico, é claro. Afinal, o projeto matrimonial de Nino só visa atender ao único desejo formulado pela mulher que ele não satisfez ainda. O marido, que a visita todos os dias, está empenhado em manter vivo esse amor ao mesmo tempo que procura acender uma centelha que seja da memória dela, mais fugidia do que nunca.

Esse núcleo da história acaba carregando o filme, por mais que o protagonista seja oficialmente o filho da noiva, Rafael (Ricardo Darín, de Nove Rainhas). É ele quem toca agora o restaurante da família Belvedere, vivendo na carne a crise econômica argentina, bem como toureando um mundo de problemas pessoais, um divórcio mal-resolvido, uma namorada insatisfeita (Natalia Verbeke) e uma filha que não conhece bem (Gimena Nobile).

Árido e travado, Rafael decididamente não compartilha o encanto pela vida que, apesar dos pesares, decididamente não abandonou seus pais. É na pele dele, portanto, que o espectador é jogado, para mergulhar no inferno e redescobrir a paixão conjugada da maneira mais básica pelo pai e por um amigo de infância que reaparece em sua vida (Eduardo Blanco).

Dessa mistura singela a que não faltam chichês, é certo, o filme extrai seu atrativo principal. É bom-mocista mas decididamente honesto e divertido. Menos banal do que se pode esperar, também, quando elabora uma crítica à hipocrisia da Igreja. Não é à toa que foi sucesso popular na Argentina. Lá, como cá, as pessoas não devem mesmo andar mais agüentando ver explicada toda sua vida nos termos da economia de mercado.

No setor de prêmios, o filme acumulou dois troféus na seção latina do Festival de Gramado/2002: melhor atriz (Norma Aleandro) e melhor filme para o júri popular. No mesmo ano, foi também um dos cinco candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Finalmente, uma dica importante: não saia da sala antes que terminem todos os créditos finais. Caso contrário, você nunca saberá quem, afinal, é Dick Watson.

Cineweb-22/11/2002

Neusa Barbosa


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