O fim e os meios

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Sinopse

Paulo e Cris tiveram um caso e ela engravidou, decidindo manter a filha. Os dois decidem viver juntos e vão do Rio para Brasília, onde ele vai ser marqueteiro de uma campanha política e ela, repórter. A aproximação com os centros de poder joga o casal no centro de um escândalo de corrupção.


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Crtica Cineweb

30/11/2015

Diretor e fotógrafo de grande experiência, Murilo Salles volta a uma proposta de articular intimismo e política – o que ele fez com muita propriedade em filmes como Nunca fomos tão felizes (84), Faca de dois gumes (88) e Como nascem anjos (96).
 
Assim, ele parte de uma crise pessoal de um novo casal Paulo (Pedro Brício) e Cris (Cíntia Rosa), balançado por uma gravidez inesperada e que divide suas expectativas (ela quer, ele não). O filme parece promissor nessa estranheza das primeiras sequências, mostrando Paulo isolado, como que clandestino, no terraço de um prédio, olhando o mar de longe.
 
Ao reatar sua relação, os dois partem para Brasília. Publicitário, Paulo vai assumir a nova campanha política de um velho senador (Emiliano Queiroz), capitaneada por seu genro, Hugo (Marco Ricca), que se torna uma espécie de guia do casal na capital federal.
 
Cris é jornalista e vai assumir uma vaga na sucursal de seu jornal carioca. Caem-lhe muito bem, portanto, os contatos proporcionados por Hugo, que é casado com uma filha do senador, Laura (Hermila Guedes), que tem relações conflituosas com o pai.
 
A verdade emocional que existia no começo do filme dilui-se bastante no artificialismo do capítulo brasiliense – o que até certo ponto é justificável, já que se pretende apresentar um mundo de aparências, falsidades e jogo pesado de interesses escusos. O problema é que se procura atulhar a história de muitas questões complexas, com muita pressa, sem dar o tempo devido a cada desenvolvimento. Assim, comprometem-se aquelas nuances sutis que dariam verdade aos conflitos que devoram os personagens.
 
Fora os problemas de roteiro neste aspecto, é visível a irregularidade na direção de atores – cada um parece estar jogando seu próprio jogo, comprometendo a unidade. Salva-se, individualmente, Marco Ricca, um intérprete que parece ter tomado a si a vilania de seu personagem, muito marcante e eficaz para o seu papel na história.
 
A personagem que mais sofre com esta irregularidade de registro é a Cris de Cíntia Rosa. O retrato, aliás, de sua rotina de redação passa longe demais da realidade – ela parece estar trabalhando na redação de uma revista de moda, não de um jornal que cobre política. Sua afobação para tocar os assuntos, bem como os diálogos que lhe couberam, também não ajudam. Não é o único filme, certamente, a retratar o ambiente do jornalismo de maneira tão irreal, superficial mesmo, mas é uma pena que não se tenha trabalhado melhor neste aspecto, pela importância que tem no desenrolar da trama.
 
É de se elogiar o desejo de um diretor de abordar temas que atormentam o país hoje, como sempre. Mas o resultado final ficou aquém das expectativas que se poderia ter de um diretor que já realizou filmes tão densos na mesma seara. Talvez fosse melhor não querer abarcar tantos temas e subtemas, e dar conta do que se decidisse escolher.

Neusa Barbosa


Trailer


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