Pasolini

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Novembro de 1975. O cineasta e escritor Pier Paolo Pasolini voltou a Roma e se prepara para receber um jornalista para uma grande entrevista. Numa Itália por ondas de homofobia e fascismo, o diretor caminha para uma morte violenta.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

04/11/2015

A presença luminosa do cineasta, poeta, roteirista e escritor italiano Pier Paolo Pasolini (1922 - 1975) é evocada com bem mais sutileza e contenção do que se poderia esperar pelo diretor norte-americano Abel Ferrara em Pasolini, cujo lançamento brasileiro coincide com o 40º aniversário de sua morte, ocorrida em 2 de novembro de 1975.
 
Sem incorrer em seus habituais excessos, o frenético diretor de Bem-vindo a Nova York escolhe Willem Dafoe como intérprete daquele que foi um verdadeiro pensador, não só do cinema, como de seu tempo, dos quais enxergava os perigos. E, prudentemente, o filme, que não é uma cinebiografia tradicional, não se propõe a dar conta de todos os aspectos do artista. Opta por recuperar fragmentos das últimas horas de sua vida, encerrada brutalmente, com seu assassinato, em 1975, um momento em que a Itália vivia ondas de neofascismo e homofobia, e coloca em dúvida a autoria do crime, atribuído ao garoto de programa Giuseppe Pelosi (Damiano Tamilia).
 
Mesmo casado com uma italiana (a atriz Giada Colagrande, que atua no filme), Dafoe não se arrisca a enunciar mais do que umas poucas frases em italiano. A maioria dos diálogos transcorre em inglês, o que prejudica a credibilidade e a conexão emocional, pelo menos com uma parte da plateia. Por outro lado, acredita-se que o detalhe linguístico ajude na circulação internacional do filme, já que na Itália, como sempre, o filme sairá nas salas dublado.
 
Deixando de lado este aspecto, há diversas qualidades na produção, como lembrar uma das últimas entrevistas de Pasolini, ao jornalista Furio Colombo (Francesco Siciliano), que acabou sendo profética, e, mais ainda, ao encenar um trecho de Porno-Teo-Colossal, roteiro do que seria, provavelmente, o próximo filme do diretor assassinado.
 
Esta sequência, com um clima de humor e poesia fellinianos, coloca o ator-fetiche de Pasolini, Ninetto Davoli, ao lado de Riccardo Scamarcio, interpretando dois personagens em situações surreais, envolvendo a passagem por uma sensual e orgiástica Festa da Fertilidade e também a busca do Paraíso. Originalmente, os dois personagens seriam, segundo o desejo de Pasolini, interpretados pelo dramaturgo Eduardo Di Filippo e pelo próprio Davoli. A não-realização do filme foi apenas mais uma das imensas perdas decorrentes da morte precoce do cineasta, responsável por filmes sublimes como Mamma Roma (que está sendo relançado em diversas cidades brasileiras), Decameron e As 1001 Noites.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança