O último caçador de bruxas

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Sinopse

Em um mundo em que bruxas vivem ocultas entre os humanos, Kaulder impõe a lei para que elas não usem seus poderes para o mal. Contratado pelo Vaticano, ele foi amaldiçoado pela terrível rainha bruxa há 800 anos com a imortalidade. No entanto, quando ela ameaça voltar para aniquilar a humanidade, ele terá chance de finalmente descansar em paz.


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Crítica Cineweb

27/10/2015

Devem ser vistas com reservas as produções que se mostram mais eficientes nas acrobacias visuais do que em uma narrativa coerente, que conduza eficientemente o espectador na história que se propõe a contar. Goste-se ou não de fantasia ou aventura, o conteúdo não pode perder para a cosmética.

Exemplos, em 2015, não faltaram, nos mais diversos temas. Grande parte do fracasso de Quarteto Fantástico se deve a esse desequilíbrio, tal como aconteceu com o nostálgico Tomorrowland e o bem-humorado Pixels. Agora, em O Último Caçador de Bruxas, de Breck Eisner (que dirigiu Sahara, em 2005), o roteiro também não conseguiu acompanhar a tecnologia.
 
Estrelado por Vin Diesel, que é também seu produtor, o filme já tem um púbico garantido pelo poder de atração do ator, ainda mais depois do sucesso impressionante de Velozes e Furiosos 7. Aqui, mais uma vez explorando um humor áspero, de um protagonista acostumado ao sofrimento e a doses letais de violência, como nas Crônicas de Riddick (a trilogia), que o tornou conhecido.

No roteiro construído pelo trio Cory Goodman (O Padre), Matt Sazama e Burk Sharpless (ambos de Drácula – A História nunca Contada), Diesel é Kaulder, um camponês de algum lugar da Europa na Idade Média, que (aparentemente) perde sua família para um covil de bruxas. Elas são responsáveis pela grande epidemia da Peste Negra (datada erroneamente na produção), e por isso Kaulder torna-se um guerreiro.

Já nas impressionantes cenas iniciais na neve, um grupo de combatentes, liderados por um Dolan (uma espécie de padre guerreiro) ataca o refúgio da rainha das bruxas (Julie Engelbrecht, irreconhecível) e sobra para o herói enfrentá-la. Percebendo a fraqueza de Kaulder (a perda da família), antes de morrer, a vilã lhe roga uma maldição: será imortal e, assim, poderá sofrer pela eternidade.

O corte para a atualidade, 800 anos depois, apresenta o caçador em Nova York, num mundo em que bruxas vivem ocultas debaixo de leis impostas pelo Vaticano. Não podem fazer mal aos humanos, caso contrário, a “arma letal” Kaulder será lançada sobre elas. É neste momento que o espectador encontra o 36o Dolan (Michael Caine), que narra as aventuras do herói. Prestes a se aposentar, passa o bastão a seu sucessor (Elijah Wood), para cuidar dos interesses do caçador.

O fato é que há um feiticeiro Belial (Ólafur Darri Ólafsson) contrário às leis que oprimem as bruxas, cujo ideal é ressuscitar sua rainha. Cabe então a Kaulder, com a ajuda da feiticeira “gente boa” Chloe (Rose Leslie, da série Game of Thrones), impedir que isso ocorra, pois decretará o fim da humanidade. 

De forma direta, o filme não traz tensão. A narrativa não é coesa e seu desenvolvimento fica fragmentado pela falta de uma estrutura que consiga unir o conflito interno dos personagens e os desafios no desenrolar dos fatos. Exemplo simples, o de não ser trabalhada a gênese do personagem principal, que, na verdade, seria um anti-herói, como em Velozes e Furiosos.

Para não alongar o filme, alguns papeis tornam-se apenas subterfúgios, como é o caso de Elijah Wood, mal aproveitado em todas as situações em que aparece em cena. Um problema claro de roteiro e até mesmo de edição, que preferiu a computação gráfica a contar uma história que faça sentido e que, pelo menos, tivesse acertado as épocas corretas. 

Rodrigo Zavala


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