Sicario: terra de ninguém

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Sinopse

Depois de um eficiente serviço, a agente do FBI Kate Macer é convidada a integrar um grupo de elite, que comandará uma ação de porte contra traficantes no México. No decorrer das operações, ela percebe que o protocolo legal está sendo deixado de lado por sua chefia.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

20/10/2015

Sicario: Terra de ninguém, do canadense Denis Villeneuve, crava uma nota ainda mais sombria em sua filmografia, marcada por dramas como Incêndios (2010), Os Suspeitos e O Homem Duplicado (ambos de 2013).
 
Extremamente bem-realizado, com fotografia do veterano inglês Roger Deacon (parceiro dos irmãos Joel e Ethan Coen desde Barton Fink – Delírios de Hollywood, vencedor da Palma de Ouro 1991), o filme aprofunda-se num clima impiedoso desde a primeira cena, partindo de um roteiro original de Taylor Sheridan, mais conhecido como ator de séries de TV, como CSI e Filhos da Anarquia.
 
Diretor versátil, Villeneuve comanda com mão firme a ação. A narrativa é eletrizante, seguindo um mergulho no inferno da agente do FBI Kate Macer (Emily Blunt, numa guinada de carreira interessante). Oficial experiente, ela comanda uma investida contra uma casa pertencente a um cartel de drogas, num deserto perto do Phoenix, no Arizona, da qual resulta uma impressionante descoberta de horrores.
 
O sucesso da iniciativa provoca o convite para Kate integrar um time composto por agentes da CIA, como Matt (Josh Brolin) e Alejandro (Benicio del Toro), para uma operação de grande envergadura contra cartéis mexicanos na fronteira deste país com os EUA – que tem seu centro nervoso em Ciudad Juárez, uma das cidades mais violentas do mundo.
 
A grande sacada do filme, no entanto, é não só colocar em primeiro plano uma visão do mundo como um palco de guerra permanente, um “tempo de lobos” (como define o personagem Alejandro) assim como trazer de volta um espírito do cinema independente norte-americano dos anos 1970. Vem à mente, por exemplo, A Conversação (74), de Francis Ford Coppola, numa outra chave, que leva a refletir sobre como o respeito a regras ou a qualquer protocolo legal está sendo pura e simplesmente abandonado em nome de um conceito autoritário de segurança. Ou seja, não há lugar para idealistas nem heróis, papeis a que Kate parece se credenciar.
 
O fato de ela ser a única mulher num grupo masculino é usado de maneira eficiente dentro da trama, a partir de situações de ironia, confronto e tensão. Antes que Villeneuve aderisse ao projeto, inclusive houve pressões de produtores para que o papel de Kate fosse reescrito para um homem, por temores de ordem comercial, ou preconceito machista puro. Felizmente, o diretor canadense não deu ouvidos a essa bobagem. Até a figura fisicamente frágil e a beleza de Emily Blunt caem na justa medida de sua personagem, que é 100% humana, nada super-heroína, mas forte o bastante para sobreviver nesta selva em que todas as aparências enganam e todos os valores parecem torcidos.
 
Os cenários são compostos com grande realismo e a música sinistra do islandês Jóhan Jóhannsson (parceiro de Villeneuve em Os Suspeitos) gela o sangue toda vez que toca – e é usada na justa medida, sem excessos.
 
Desde Cannes, em maio, onde Sicario... fez sua première mundial na competição principal, imagina-se que o filme caminha rumo a indicações de Oscar do ano que vem. Benicio del Toro, por exemplo, está assustadoramente impecável. Talvez desde o coronel Kurtz de Marlon Brando em Apocalipse Now (79) não se via um personagem tão ambíguo e assustador.

Neusa Barbosa


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