Perdido em Marte

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País


Sinopse

Ferido e dado como durante uma exploração de Marte, Mark Watney é deixado para trás quando a missão é abortada. Porém, ao se descobrir sozinho no planeta, arma um plano de sobrevivência e tenta contatar a Terra pedindo ajuda.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/09/2015

Perdido em Marte, novo filme de Ridley Scott, é uma espécie de Robinson Crusoé para os tempos de conquista espacial. É o triunfo da força de vontade e da solidariedade diante das adversidades do mundo – embora esse mundo esteja em outro planeta. Matt Damon (que já foi esquecido no espaço uma vez em Interestelar) é Mark Watney, o personagem do triste destino dado no título, que é deixado para trás no Planeta Vermelho depois de dado como morto, quando sua equipe precisa ir embora às pressas.
 
Boa parte do filme acompanha o esforço de sobrevivência de Watney sozinho na vastidão deserta e seca – ele nem sabia que haveria água em algum lugar em Marte, conforme a NASA anunciou esta semana –, tentando sobreviver e fazer contato com a Terra. Muito ajuda o fato de ele ter um PhD em botânica e habilidades dignas de um MacGyver. Depois de se recuperar do ferimento que sofreu, contabiliza o quanto de suprimento alimentar ainda tem guardado, quanto tempo isso irá durar, e descobre como plantar batatas em Marte. Seus cálculos: conseguirá viver por quatro anos, até que o resgate chegue.
 
Como Perdido em Marte não é Náufrago, o filme não acompanha apenas Damon deixado para trás. Na Terra, quando finalmente a NASA descobre que o astronauta não está morto, começa uma mobilização para resolver como agir – até porque a opinião pública já está pressionando, e para todo o lado surgirão cartazes com “Tragam Watney de volta”. A primeira medida é não avisar a tripulação da nave que abandonou o companheiro supostamente morto, para não atrapalhar a viagem deles.
 
Fica claro que a agência não tem o menor tato para lidar com o problema. A começar pela figura do seu superior, Teddy Sanders (Jeff Daniels), cujas atitudes fazem parecer que, por ele, não se contava nada a ninguém, deixando o homem abandonado morrer à míngua. Mas o chefe da missão, Venkat Kapoor (Chiwetel Ejiofor), e o responsável pelos astronautas, Mitch Henderson (Sean Bean), são mais humanitários e mobilizam o resgate.
 
Scott e seu roteirista Drew Goddard (Guerra Mundial Z) valem-se de um estratagema que já existia no livro de Andy Weir: Watney grava vídeos para registrar sua experiência. Assim, o diretor encontra uma saída formal para explicar o que o protagonista faz e o porquê. Muito ajudam o fato de Damon ser carismático e usar bem o humor de seu personagem – do contrário, o filme resultaria numa enfadonha aula de ciência.
 
Em Perdido em Marte, Scott está longe do estranhamento incômodo de Alien e dos questionamentos sobre a vida e afins de Prometeus. É um filme de entretenimento, mas não mero. Com uma bela fotografia de Dariusz Wolski, que não se contenta em apenas explorar a palheta de cores quentes da atmosfera marciana, o cineasta faz um filme de aventura que traz em sua essência um questionamento político sobre solidariedade. Quando a equipe de colegas de Watney, que o abandonaram, fica sabendo que está vivo, decidem voltar e resgatá-lo – seria mais rápido e menos oneroso do que mandar uma nova espaçonave. Capitaneados por Melissa Lewis (Jessica Chastain), não hesitam em fazer meia volta – se isso não é solidariedade entre os pares, o que será ? Eles estão não apenas arriscando suas vidas (pode haver algum erro e não voltarem), como também aumentando o tempo longe da Terra – e já faz muitos meses que estão fora de casa.
 
A atitude desses personagens é a vitória da união de forças – mostrando uma falácia da meritocracia. Por mais que Watney se esforce para sobreviver – seu empenho pessoal é admirável –, ele jamais poderia sair dali sozinho. Seu afinco tem um limite: o da sobrevivência. A mudança radical de sua situação – voltar para a Terra – precisa de outras pessoas. “Perdido em Marte” não é o triunfo da vontade, é o triunfo da solidariedade – ao contrário do self-made man de Robinson Crusoé, o que prova que a humanidade pode ter evoluído um pouco.

Alysson Oliveira


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Comentários:
  • 01/10/2015 - 09h26 - Por Leonardo Torres Sr Alysson Oliveira deveria olhar no dicionário o significado de meritocracia porque parece que para deixar a critica com palavras bonitas e mostrar algum refino intelectual resolveu usar o termo como se você a mesma coisa que individualismo coisa que não é. Um time de vólei ou qualquer outro esporte coletivo que é campeão devido ao seus méritos e não porque teve ajuda externa é o maior exemplo de meritocracia e é algo coletivo, na verdade qualquer um que goste de esporte quer ver os melhores vencerem e não as vitórias no tapetão, o que faz da crítica extremamente mediana e mostra que apesar do Cineweb não ser responsável pelos textos os mesmos sequer são revistos.
  • 06/10/2015 - 17h38 - Por Neusa Barbosa Sr. Leonardo:

    Discordâncias de opinião são normais e sempre respeitadas aqui.

    Mas ressalvo que os textos sempre são revisados por nós.

    cordialmente,

    Neusa Barbosa
  • 07/10/2015 - 16h46 - Por Anderson Silva "falácia da meritocracia"?
    Como Alysson Oliveira admitiu uma chamada tão péssima e incongruente?
    Terrível...
    Falácia significa mentira basicamente.
    Se alguém for solto em um balão sem controle, meritocracia não vale de nada. É o caso de um astronauta sozinho em MARTE!
    Falácia da meritocracia seria se os outros companheiros escolhidos de viagem fossem aleatórios, não pessoas que conquistaram seu espaço por mérito.
    Se substituíssemos todos os tripulantes por... Digamos, pessoas escolhidas por sorteio, aí sim, seria uma prova de como a "meritocracia" não funciona!
    Muito triste ver a língua portuguesa sendo tratada assim...
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