Eu nunca

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País


Sinopse

O enterro do avô incomoda os primos Thiago e Guilherme. Para driblar o mal estar da situação, os adolescentes fogem, com uma amiga, para um antigo sítio da família. Os três conversam, dão risada, se provocam. Num dado momento, começam um jogo de sedução, aparece um velho vizinho e muitas memórias do velho sítio reaparecem.


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Crítica Cineweb

08/09/2015

À primeira vista, é difícil quantificar em um filme found footage o quanto o recurso é utilizado por ser tecnicamente econômico ou por sua riqueza narrativa. O estilo cinematográfico caracterizado pelo viés documental de imagens gravadas pelos próprios personagens foi popularizado com o hit Bruxa de Blair (1999), tornando-se uma moda entre os longas de terror, como [Rec] e Atividade Paranormal, ambos de 2007. No entanto, ele já migrou para outros gêneros e, se forem citados apenas exemplos do ano de 2012, existem à disposição a ficção científica Poder Sem Limites, o drama e thriller policial Marcados Para Morrer e até a comédia adolescente Projeto X: Uma Festa Fora de Controle.
 
Por isso, o brasileiro Eu Nunca (2015) não chega a ser uma novidade em sua mistura de drama e suspense adolescente e sim um desbravador do found footage – embora não o pioneiro – dentro do cinema nacional. Quanto às vantagens financeiras do recurso, elas se tornam claras quando a cartela inicial do longa indica que a produção é totalmente independente e não utilizou nenhuma verba de leis de incentivo.
 
Isso porque o ator Kauê Telloli, premiado em Gramado pelo curta A Navalha do Avô (2013) e mais conhecido por seu papel na segunda temporada da série O Negócio (2013-), escreveu o roteiro quando tinha 21 anos, filmou aos 25 com um orçamento de apenas R$ 14 mil e, só agora, aos 28, vê seu projeto chegando ao circuito. Além de roteirizar e dirigir, ele é um dos três atores que movimentam a trama, dando vida a Guilherme, enquanto Francisco Miguez, o Mano de As Melhores Coisas do Mundo (2010), é seu primo Thiago.
 
O avô deles morreu e, para fugirem do que consideram as chatices do funeral, os jovens decidem ir para o afastado sítio da família, junto com duas garotas, mas só Priscila os acompanha. A moça, interpretada por Samya Pascotto, da novela Sangue Bom(2013) e das séries Julie e os Fantasmas (2011-2012) e Vizinhos (2015) – nesta última, ela trabalha com Miguez –, torna-se o objeto de desejo dos primos, que passam a criar jogos para ver quem consegue ficar com ela até o final da noite.
 
A tensão sexual criada no primeiro ato se intensifica no segundo, em que elementos da isolada casa detonam revelações sobre episódios passados ocorridos com os rapazes e despertam o interesse do público pelos personagens. Entretanto, a narrativa se perde em sua parte final, com a presença, ainda que velada, de um misterioso homem do lado de fora, em uma confusão que vai além do necessário. Pior: mina o esboço de humanidade dado aos primos, que, por fim, pouco geram empatia na plateia, com exceção de Samya, que não somente dá o controle da situação para Priscila, como a torna um instrumento do espectador para tentar descobrir os segredos por lá escondidos.
 
Nesse sentido, Kauê como diretor tem sua parcela de culpa, por não atingir a naturalidade desejada em um filme deste estilo – vide a cena que, após deixar a câmera sobre uma mesinha, Thiago e Guilherme vão simultaneamente para trás, em uma marcação cênica que grita na tela. Com uma conclusão sobre conflitos de gerações que não encontra respaldo anterior no decorrer da trama, Eu Nunca demonstra que sua metalinguagem vai além da escolha estilística e das encenações das lembranças dos primos. Estes jovens que vagam pela história sem se encontrar resumem a ideia primária deste exercício cinematográfico de Telloli, um début que encontraria mais rumo se tivesse na questão do limite da verdade em frente à câmera seu cerne até o final.

Nayara Reynaud


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