Numa escola de Havana

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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Lecionando há 40 anos numa escola primária em Havana, a professora Carmela tem poucas compensações pelo árduo trabalho. Ainda assim, ela se esforça ao máximo para ajudar cada um de seus alunos a superar dificuldades, dentro e fora da escola. Como faz com Chala, menino rebelde, sem pai e cuja mãe é drogada.


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Crítica Cineweb

01/09/2015

Em seu terceiro longa, premiado em Havana e outros festivais pelo mundo e o primeiro deste diretor a estrear comercialmente no Brasil, o cineasta e roteirista cubano Ernesto Daranas atravessa uma quantidade razoável de clichês para compor uma história humana que, afinal, flutua sobre eles com bastante dignidade. Isso graças especialmente a um elenco talentoso, no qual sobressai a veterana Alina Rodríguez, num de seus últimos trabalhos (ela morreu no final de julho de 2015, aos 63 anos).
 
É dela o papel de Carmela, a veterana professora de uma escola primária em Havana que, há 40 anos, se esforça para salvar seus alunos da pobreza, dos problemas familiares e dos caprichos da burocracia. Ela é uma espécie de símbolo mesmo do país. Seus traços cansados não deixam de exibir uma sutil beleza, que resistiu aos anos, mesmo que desbotada, como a velha Havana. O andar é às vezes vacilante, assim como o coração doente. Mas, mesmo assim, o ardor da professora garante sua força.
 
É na moral que ela se impõe, mesmo a alunos rebeldes diante de todos, como Chala (Armando Valdés Freire). Garoto de 12 anos, mora com uma mãe drogada (Yulet Cruz) que se prostitui para sobreviver – e sustentar o vício. Os expedientes do menino é que não raro garantem o pão na mesa, especialmente seus negócios criando pombos e treinando cães de briga (o que rende também lucros nas apostas ilegais).
 
Carmela é a única figura que Chala respeita e ama sem reservas. E ela se empenha para salvá-lo da marginalidade, que com ele está flertando neste modo de vida instável. O garoto é esperto e até não vai mal na escola. Mas é briguento e cria tantos problemas que está a ponto de ser mandado para uma “escola de conduta”, um estabelecimento de disciplina mais rígida, quase um reformatório.
 
Por mais que a história se estruture em torno de uma série de clichês de novela – o menino pobre, a mãe drogada, o pai relutante em assumi-lo (Armando Miguel Gómez), a menina que é sua paixão (Amaly Junco), a professora idealista -, muito se salva pela sinceridade e o empenho com que a narrativa é construída e por apontar alguns rumos.
 
Afinal, se a história é construída com simplicidade, foge como o diabo da cruz da banalidade. Por isso, incorpora um conflito central interessante entre a professora lutadora pela sorte de cada um de seus alunos contra a burocrata (Silvia Aguila) cumpridora das regras, inclusive ideológicas, ao pé da letra – ameaçando de punição a mestra por permitir que uma aluna pregue no mural da classe um singelo santinho, uma imagem da Virgem da Caridade.
 
Os desafios de uma Cuba que, na vida real, caminha para virar uma página de sua história ao reatar relações com os EUA e projetar um futuro além da liderança dos irmãos Castro, certamente são bem mais complexos do que o escopo que o filme alcança. Mas Uma Escola de Havana não deixa de sintonizar-se com alguns arquétipos universais para refletir sobre o valor da individualidade e a importância que pode ter na vida de alguns uma única e simples pessoa, uma professora que sequer ganha algo com isso. Mas que tem sua paga neste único ato de não abrir mão de lutar pelo que considera genuíno, ainda que seja para salvar um único menino.

Neusa Barbosa


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