A Esperança é a Última que Morre

A Esperança é a Última que Morre

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Hortência é uma repórter esforçada, mas sem sorte. Quando abre uma vaga para âncora no jornal em que trabalha, com a ajuda de alguns amigos, ela começa a forjar assassinatos baseados em provérbios, para, assim, fazer reportagens, ter destaque e conseguir a vaga.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/09/2015

A comédia nacional A Esperança é a Última que Morre é pautada pela ingenuidade – algo que não a redime, mas talvez a explique. Escrito e dirigido por Calvito Leal (um dos codiretores do documentário “Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei”), o filme tem como protagonista Dani Calabresa, vivendo uma repórter atrapalhada que sonha em ser âncora do telejornal da cidade onde mora, Nova Brasília.
 
Ela se chama Hortência e a ela cabem apenas reportagens sem qualquer destaque e relevância, como um festival de biscoitos na cidade. Quando abre uma vaga na bancada do telejornal, ela logo se anima, mas, para conseguir, terá de competir com Vanessa (Katiuscia Canoro), a queridinha do chefe/apresentador (Augusto Madeira).
 
Talvez, sem querer, A Esperança... expõe alguns pontos baixos de nosso jornalismo contemporâneo – mesmo numa chave exagerada do humor. A atual âncora do jornal (Adriana Garambone) foi despedida porque não é mais uma jovenzinha. Na sua forma cômica, mas sem muita graça, o longa mostra como o jornalismo eventualmente está se tornando entretenimento, ao invés de informação.
 
Depois de fazer uma pesquisa, Hortência descobre que Nova Brasília é a cidade mais pacata do planeta, onde não ocorre um crime há anos. Mas Vanessa rouba a pauta e desponta como a favorita para o novo cargo. No mesmo dia, a protagonista vê um sujeito se jogar de uma ponte e, com ajuda de dois amigos que trabalham no IML, Eric (Danton Mello) e Ramon (Rodrigo Sant'anna), forjam a aparência de um assassinato. Isto permite dar início a uma série de crimes “realizados” por um serial killer, todos inspirados em provérbios. Na verdade, eles pegam corpos que morreram de morte natural e criam a cena dos supostos assassinatos que se transformam em notícia, permitindo, finalmente, a Hortência brilhar numa cobertura.
 
A premissa do filme não é lá muito promissora, e o resultado também.  A ingenuidade da trama parece um espelho da ingenuidade da cidade e de seus habitantes, que, aos poucos, começam a temer sair de casa.
 
Dani e Katiuscia já tiveram momentos mais engraçados na televisão. Aqui, suas personagens são estereotipadas demais para ter qualquer nuance. São aquelas figuras comuns de um humor ligeiro, que acabam tipificadas. O mesmo serve para os personagens de Sant’Anna e Mello – respectivamente, o malandro e o atrapalhado que faz tudo para conquistar Hortência.
 
A estética leva a lembrar os filmes de humor sobre o mundo jornalístico protagonizados por Will Ferrell – O Âncora e Tudo Por Um Furo-, aqui num contexto deslocado no tempo e no espaço. Embora nunca se digam em que ano a trama se passa, há algo de anacrônico no filme – com figurinos e direção de arte que remetem aos anos de 1970, mas também celulares antigos. Já a boa vontade em fazer rir, no entanto, não se traduz em humor, efetivamente. A Esperança... morre na intenção.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança