Entrando numa roubada

Entrando numa roubada

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Um diretor e um grupo de atores foram roubados pelo produtor de um filme de sucesso do qual participaram. Agora, anos depois, o protagonista decide se vingar e envolve seus colegas num plano, sem que eles saibam. Estes cometem assaltos pensando que estão participando de uma nova produção.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/09/2015

O brasileiro Entrando Numa Roubada é uma espécie de comédia de ação para os tempos de reality show. Não que suas personagens estejam num programa de televisão desse tipo, mas essa mentalidade parece tão assimilada em nossa cultura que elas agem como se existissem câmeras espalhadas pelo mundo apenas para filmá-las.
 
O filme marca a estreia em longas de André Moraes, curta-metragista (O Destino de Miguel) e músico – autor de trilhas de vários filmes, como Assalto ao Banco Central e Meu Tio Matou um Cara –, que aqui também assina o roteiro. Num prólogo, conhecemos os protagonistas: o produtor de cinema Alex (Marcos Veras), os atores Eric (Julio Andrade), Laura (Deborah Secco), Vitor (Bruno Torres), e do cineasta Walter (Lucio Mauro Filho). Eles acabam de sair da sessão de gala do filme que fizeram juntos, que promete ser um grande sucesso, com explosões, perseguições e pirotecnias.
 
Anos mais tarde, os reencontramos pobres, longe do cinema e sem perspectiva. Laura e Walter ganham alguns trocados animando festas infantis. Vitor trabalha numa borracharia e Eric vende muamba, sem se conformar de terem sido roubados pelo produtor, Alex, que virou pastor evangélico.
 
O que move a narrativa é a vingança de Eric, que, enganando os colegas, os colocará em seu plano. Depois de ganhar um edital para um roteiro que escreveu, Vitor tenta convencer os amigos a participarem de um filme de baixíssimo orçamento. Tão baixo que a equipe contará apenas com o diretor e a filha do dono da borracharia, Letícia (Ana Carolina Machado) – e os outros três atuando.
 
Eric se aproveita disso e, com ajuda de Walter, irá enganar os colegas, fazendo-os assaltar postos de combustível de beira de estrada, enquanto pensam que tudo isso faz parte das filmagens. Assim, vão em direção de Alex, juntando dinheiro para promover a vingança.
 
Vitor e Laura acreditam que as peculiaridades da filmagem são parte de um método polonês no qual os atores não interagem antes da cena, que corre apenas na base da improvisação. Ou eles são muito ingênuos – talvez burros, mesmo – ou ávidos demais para aparecerem na frente das câmeras, a ponto de não perceber como isso não faz sentido.
 
No entanto, sem essa “licença poética” não haveria filme. Com esse fiapo de premissa, Moraes tenta criar um road movie de ação e comédia. Há perseguições – que a dupla de atores acredita fazer parte do filme (embora as câmeras não estejam à vista) – e também momentos dramáticos, nos quais Laura e Vitor acreditam que apenas estão atuando.
 
É preciso certa de dose de boa vontade com “Entrando Numa Roubada”. Mas os personagens merecem? Aí é que está a questão: parece que não. Ninguém se destaca como digno de alguma simpatia. Entre caricatos, egocêntricos e egoístas, são figuras que esbarram em seus excessos e limitações – sério mesmo que eles acreditam naquela história de filme sem equipe? Nem o vilão (um pastor que instrui os colegas a tirar dinheiro dos fiéis) é capaz de despertar muito ódio.

Alysson Oliveira


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