Diário de Uma Camareira

Diário de Uma Camareira

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Celestine é uma jovem camareira parisiense que vai trabalhar na casa de um casal idoso e rico na região da Normandia. Lá, ela aguenta os maus-tratos da patroa, e se esquiva das investidas sexuais do patrão. Porém, acaba entrando num jogo de sedução com um dos colegas de trabalho.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

01/09/2015

Não se pode acusar Benoît Jacquot de covardia. Ele adapta o romance O Diário de uma Camareira, de Octave Mirbeau, publicado em 1900, que já teve versões de Jean Renoir, de 1946, – aqui chamado de Segredos de Alcova – e Luis Buñuel, 1964, entre outras. São, por assim dizer, um esforço em vão, e uma beleza que tenta se sustentar sozinha, a empreitada do diretor.
 
Léa Seydoux assume o papel que já foi de Jeanne Moreau, como a camareira Celestine, bela e reservada, sobre a qual pouco sabemos. A moça aceita o trabalho numa casa de ricos (decadentes?) na região da Normandia, deixando o cosmopolitismo de uma Paris do passado – o filme nunca deixa claro em qual época se passa: século XIX, começo do XX? Acompanhamos a jornada dessa personagem ambígua: ela é sonsa tentando ser inteligente, ou inteligente se passando por sonsa para alcançar seus objetivos?
 
A garota se submete aos abusos da patroa (Clotilde Mollet) mas consegue se esquivar das investidas sexuais do patrão (Hervé Pierre), além de parecer participar de um jogo tácito de sedução com outro empregado da casa, Joseph (Vincent Lindon), que mora e trabalha lá há muito tempo, e simpatiza com um movimento fascista que ganha força na região. O romance, originalmente, foi lançado durante o notório Caso Dreyfus – que resultou na condenação de um oficial do exército francês de origem judia – mas, hoje, essa referência se perdeu. Assim como as implicações ideológicas do personagem do livro/filme.
 
Celestine tem atração por ele, Jacquot por suas personagens femininas, mas nenhuma delas se mostra muito convincente em suas transformações. Fora as dúvidas que pairam sobre a protagonista, há uma transformação em sua patroa que nunca faz muito sentido ou tem explicações.
 
O que a obra original – e suas adaptações mais famosas – permite é um olhar para as classes mais altas do ponto de vista “dos de baixo”. Assim, pelos olhos de Celestine, pode-se ver não apenas as tensões de classe, mas também o tratamento dispensado às mulheres (especialmente as de classe mais baixa). Aqui, no entanto, a beleza de Seydoux, dos cenários, dos figurinos e afins acabam se tornando mais centrais.

Alysson Oliveira


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