Dior e Eu

Ficha técnica

  • Nome: Dior e Eu
  • Nome Original: Dior and I
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: França
  • Ano de produção: 2014
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 90 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Frédéric Tcheng
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Experiente em prêt-à-porter de moda masculina, o estilista belga Raf Simons não pertencia ao mundo da alta costura quando foi contratado pela Maison Dior parar criar uma nova coleção. O filme acompanha sua jornada de acertos e erros, até o desfile que o consagrou.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

24/08/2015

No limite, a função de um estilista é esconder o esforço que existe por de trás de uma peça de roupa. Admiram-se as dobrinhas, os bordados feitos à mão, e a genialidade do criador - deixando-se de lado as horas de labuta operária (desde o plantio do algodão, que seja, até a peça chegar à passarela ou vitrine). O documentário Dior e Eu tem a chance de penetrar na famosa Maison Dior, em Paris, e esmiuçar a produção de uma coleção assinada por um designer belga, vindo do pet-à-porter, que acaba de assumir a posição mais alta na casa.
 
Trata-se de Raf Simons, conhecido por suas criações chamadas de minimalistas e masculinas. Ele assume o posto na Dior e tem cerca de dois meses para preparar uma coleção inteira para a Paris Fashion Week. “É um trabalho”, diz um de seus novos colegas, “que leva de 4 a 6 meses”. É nesse sentido de urgência que o documentarista Frédéric Tcheng filma essas semanas de correria e desencontros.
 
O longa interliga o presente de Simons e o passado do próprio Christian Dior (morto em 1957) com citações de sua biografia (lida pelo poeta Omar Berrada). O que Tcheng parece querer mostrar é que os tempos não mudaram tanto assim – as aflições, alegrias e ansiedades dos dois estilistas são bem parecidas. Dior criou seu ateliê em 1947, e em 10 anos se tornou icônico. Suas criações (ou seu estilo) influenciam até hoje. O filme acompanha alguns meses na casa Dior, em 2012, e mostra o novo diretor artístico lidando com esse legado.
 
Dior e Eu é um filme para os tempos de reality show, quando o cinema vérité perde espaço para desconstrução de processos. Tcheng tem acesso aos bastidores do ateliê e acompanha todo o processo aparentemente sem restrições. Mas isso tem um preço. Por mais que haja um conflito aqui e ali – especialmente entre o estilista e suas duas premières (espécie de chefes de equipe de costureiros e afins) –, o cineasta precisa com seu filme alimentar o sonho do conto de fadas do vestido ideal, no sentido de idealizado mesmo.
 
Simons é tímido, mal fala francês, sempre tem uma das mãos cobrindo o rosto. Como personagem – especialmente para um documentário – não desperta empatia. Talvez por sabermos que tudo, no fim, dará certo ou porque ele é sem graça mesmo, não temos vontade de torcer por ele, o que resulta num documentário frio, um tanto anódino, que se contenta em mostrar e congratular um metiê (como tantos outros) que vive de alimentar os egos daqueles que o fazem. As figuras mais interessantes do filme são Florence Chehet e Monique Bailly, as duas premières que têm sob sua responsabilidade um time de costureiras e costureiros uniformizados com aventais brancos. 
 
Elas, sim, renderiam assunto para um filme bem maior. Quem são elas? Onde e como vivem? Como vão para o trabalho? O que pensam daquilo que costuram? Mas não são figuras que se destacam no mundo para o qual trabalham, que se alimenta do glamour e dos holofotes para sobreviver e manter sua mística. 

Alysson Oliveira


Trailer


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