Sexo, amor e terapia

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Sinopse

Judith é sensual e não esconde seu interesse por sexo casual nos mais diferentes ambientes. Quando passa a trabalhar com o terapeuta de casais Lambert, que é viciado em sexo, a dupla passa por apuros, pois ele decidiu só ir para a cama quando se apaixonar, como parte de seu tratamento. Mas Judith não sabe disso.


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Crítica Cineweb

18/08/2015

Com grande capacidade de lidar com o universo feminino, como o fez no excelente Instituto de Beleza Vênus (1999), a diretora e roteirista Tonie Marshall (filha da atriz francesa Micheline Presle e do diretor americano William Marshall) cria em Sexo, Amor e Terapia uma comédia romântica sem medo de explorar a sexualidade de seus personagens.

Aqui, ela dá voz a Judith (uma sensual Sophie Marceau), que não tem qualquer inibição em desfrutar dos prazeres provenientes do sexo casual com homens que encontra pela caminho. Quando vai buscar um novo emprego, se depara com o terapeuta de casais Lambert (o competente ator Patrick Bruel), que precisa de uma nova assistente.

De olho no terapeuta, Judith mente sobre sua formação para conquista-lo, sem saber que ele é viciado em sexo e frequenta reuniões de um grupo anônimo de pessoas “dependentes afetivas e sexuais”. Pior: Lambert decidiu, com base em seu programa de reabilitação (tinha seis relações por dia), ir para cama apenas quando se apaixonar.

O tom de comédia fica exatamente nesta queda de braço entre a dupla, com as investidas de Judith e o suplício de Lambert, que a quer, mas não pode. Tudo isso, enquanto eles buscam resolver os problemas de outros casais que batem à porta do consultório.

Tonie Marshall constrói uma narrativa irreverente, contra qualquer tipo de análise ao comportamento de seus personagens. Numa lógica libertária, evita discussão sobre sexismo e tenta, de forma direta, trabalhar a sexualidade como algo nato e natural de homens e mulheres.

Por outro lado, referencia a sua comédia romântica aos moldes americanos, em que é possível perceber a falta de uma dimensão mais pessoal para este trabalho, o que poderia render mais delicadeza e algo de novo ao resultado. Embora acertadíssimo, o elenco (que conta a participação especial do veterano Jean Pierre Marielle), seus personagens são unidimensionais, extraindo o calor de algo mais real, como fez em Instituto de Beleza Vênus.    
 
Curiosamente, o filme leva o título original de “Tu veux... ou tu veux pas?” (você quer ou não?), homônimo à versão francesa (eternizada por Brigitte Bardot) do clássico brasileiro de autoria de Carlos Imperial, “Nem Vem que não tem”, música consagrada, por aqui, por Wilson Simonal. As letras não têm qualquer relação uma com a outra, mas só a melodia já colabora para melhorar o filme.

Rodrigo Zavala


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