A Dama Dourada

A Dama Dourada

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Sinopse

Depois da morte da irmã, Maria Altmann encontra papeis relativos a quadros roubados de sua família, judia e austríaca, pelos nazistas. Com a ajuda de um jovem advogado, Randy Schoenberg, ela decide tentar recuperar as obras - entre elas, a valiosa "Dama Dourada", de Gustav Klimt, que retrata a tia de Maria.


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Crítica Cineweb

10/08/2015

Quando a irmã morre, Maria Altmann (Helen Mirren) começa a remexer em papeis muito antigos. Nem imagina que está abrindo a porta a um processo que a levará a revisitar sua Áustria natal, que abandonou há décadas, fugindo do nazismo para os EUA.
 
Em Viena, Maria pertencia a uma rica família judia, os Bloch-Bauer, amantes das artes, cuja casa era frequentada por vários artistas e intelectuais. Tanto que sua tia, Adele Bloch-Bauer (Antje Traue), foi retratada por ninguém menos do que o pintor simbolista Gustav Klimt, num quadro destinado a tornar-se famosíssimo – “A Dama Dourada”.
 
Com a mesma mão leve observada em outro filme baseado em fatos reais, Sete Dias com Marilyn (2011), o diretor britânico Simon Curtis desdobra em A Dama Dourada as camadas da fascinante biografia de Maria Altmann, no momento em que ela, já idosa, decide iniciar uma longa e dramática batalha judicial contra o governo austríaco para reaver quadros roubados de sua família pelos nazistas, em 1938. O museu em que eles estão abrigados, aliás, não é menos reticente para realizar a reparação, uma vez que também esconde sua própria conivência com os crimes do passado.
 
Maria nunca entraria nesta briga se não fosse a insistência de um jovem advogado, Randy Schoenberg (Ryan Reynolds), cuja família, também de refugiados judeus austríacos, é amiga da sua. Randy, aliás, é neto do famoso compositor Arnold Schoenberg.
 
Por mais que as raízes comuns os aproximem, as razões iniciais de Randy para lançar-se neste processo são a princípio mais egoístas. Em plena crise pessoal e profissional, ele precisa de uma virada ambiciosa. E não ignora que o valor de quadros como “A Dama Dourada” atingem muitos milhões de dólares. Ao longo da história, ele também descobrirá outras razões morais para persistir no esforço, que durou vários anos, em etapas na Áustria e na Suprema Corte dos EUA.
 
Um grande acerto do filme está em manter o passo da narrativa histórica, introduzindo flashbacks precisos para retratar a ascensão e queda dos Bloch-Bauer e as dolorosas escolhas da jovem Maria (nessa fase, interpretada por Tatiana Maslany) para salvar-se e o peculiar relacionamento da velha senhora com seu jovem advogado – de onde surgem conflitos e momentos de humor, que aliviam o peso do tema dramático.
 
Incorporando à trama austríacos abnegados, como o jornalista Hubertus Czernin (Daniel Brühl), essencial para a localização de preciosos documentos, o filme evita satanizar aquele país, que sem dúvida aparece mal na foto, inclusive o museu. Seus representantes negam-se a todo momento a fazer qualquer acordo com Maria, cuja intenção nunca foi dinheiro, apenas justiça.
 
O elenco brilha na mesma medida que a protagonista Helen Mirren, que ocupa com o máximo de seu talento sutil todas as camadas desta extraordinária personagem, o que permite colocar em relevo tanto sua importância histórica quanto sua riqueza humana. Muito bem-vindas, igualmente, são as pequenas participações de grandes atores, caso de Jonathan Pryce e Elizabeth McGovern, ambos representando juízes cujas decisões alavancaram o caso.

Neusa Barbosa


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