Party Girl

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País


Sinopse

Angélique viveu toda sua vida como mulher da noite, trabalhando num cabaré, onde entretêm homens, ouve suas conversas, os induz a beber e também faz programas com eles. Mas, aos 60 anos, essa opção de vida parece ter chegado a um impasse. Um dia, um cliente, Michel, lhe propõe casamento.


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Crítica Cineweb

04/08/2015

Vencedor do cobiçado prêmio Caméra d’Or, o troféu de Cannes para os diretores principiantes, além do de melhor elenco da seção Un Certain Regard, Party Girl não é um filme comum. Trata-se de uma espécie de docudrama, que reconstitui a vida de uma senhora de programa, a sexagenária Angélique Litzenburger – que atua no filme, assim como dois de seus filhos, um deles, Samuel Theis, um dos três roteiristas e diretores, ao lado de Marie Amachoukeli e Claire Burger.
 
A vida das prostitutas não é novidade no cinema, indo de visões duras a glamourosas. Party Girl, pelo menos, não se propõe a dourar a pílula, criando mitos sobre estas mulheres que, em geral, não passam de fantasias masculinas estereotipadas. Não é fácil a vida de alguém como Angélique e suas colegas de um cabaré em Lorraine, perto da fronteira franco-alemã. Seu trabalho é funcionar como uma espécie de recepcionista, conversando com os clientes, deixando-os mais à vontade, bebendo com eles – e induzindo-os a beber – e também dormindo com eles sempre que a situação leva a isso.  
 
Da mesma forma, Angélique não se apresenta como a heroína sofrida de um melodrama. Claramente, ela vive como quer e não se detém diante de nada, o que a levou a abandonar os quatro filhos que teve ao longo da vida. Por essa razão, os encontros familiares que mantêm com eles, quando recebe uma inesperada proposta de casamento de um cliente habitual, Michel (Joseph Bour), não raro são dilacerantes – ainda mais porque os filhos são interpretados por eles mesmos, certamente recorrendo a um baú de memórias nada róseas.
 
É bom que o filme, mesmo escrito por um desses filhos, tente escapar de um julgamento sumário dessa mãe que, apesar de tudo, é a ligação entre eles, uma raiz que os torna uma família, mesmo que intermitente, em função dos sumiços e reaparecimentos de Angélique na vida deles.
 
Não é fácil criar empatia por uma mulher tão contraditória, tão cheia de arestas, não raro cruel e agressiva, manifestando um apego que parece estranho a um modo de vida um tanto insalubre. “Borboleta da noite”, como ela se define, ela envelhece mas, pior que uma adolescente, recusa-se a encarar isso de frente. O pedido de casamento, no entanto, é algo a ser decidido e implica lidar com as expectativas de Michel sobre Angélique como esposa. É mesmo isso o que ela quer?
 
Mais egoísta do que generosa, mais cruel do que terna, mais irresponsável do que livre, Angélique, no entanto, tem direito a ser o que é e não pede piedade. Ela parece não saber viver de outro modo, nem em outro lugar e impõe o peso dessa escolha a tudo e todos à sua volta. Seus filhos são a mais viva prova disso. Nem tudo é ficção, nem tudo é verdade. E, em algum ponto, as melhores emoções escaparam pela tangente e o filme não realiza o seu potencial, esvazia-se como um balão de pouca envergadura.
 
Assim, parece ter obtido prêmios demais uma obra que não é nem original, nem transgressora, muito menos “selvagem, generosa e malcomportada”, como exageradamente a definiu a atriz e diretora Nicole Garcia, presidente do júri do Caméra d’Or em 2014.

Neusa Barbosa


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