Jogada de mestre

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País


Sinopse

Cor Van Hout, Willem Holleeder, Jan Boellard, Frans Meijer e Martin Erkamps estão sem dinheiro em Amsterdã, no início da década de 1980. Com família para sustentar e sem perspectivas de trabalho, planejam o sequestro do bilionário cervejeiro Freddy Heineken, pedindo um resgate de 20 milhões de dólares.


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Crítica Cineweb

28/07/2015

Não deixa de ser engraçado que o novo filme do diretor Daniel Alfredson (da excelente trilogia sueca sobre a série Millennium) tenha sido batizado como Jogada de Mestre. Afinal, é baseado no sequestro verídico do magnata cervejeiro Freddy Heineken, na Holanda, em 1983, sabidamente malogrado para o quinteto criminoso.
 
Também é divertido saber que o autor do livro que inspirou o roteiro (e o co-escreveu), Peter R. de Vries, só participou do filme porque não gostou do abismo entre verdade e ficção de uma produção similar de 2011, O Sequestro de Heineken, dirigida pelo holandês Maarten Treurniet. Mas também não concordou com a nova versão e, em protesto, sequer apareceu à pré-estreia.

O que não é engraçado é o drama policial morno que Daniel, irmão do cineasta Tomas Alfredson (de O Espião que Sabia Demais), apresenta neste novo projeto. Sem tensão narrativa, com um elenco anglo-australiano que nada tem a ver com a situação e uma ilustração pouco convincente dos fatos (não por acaso de Vries se irritou), a primeira empreitada do diretor na língua inglesa fica devendo ao seu talento.

Na produção, cinco desempregados holandeses bolam um plano para sequestrar o bilionário Freddy Heineken (Anthony Hopkins). Não se entende como os construtores Cor Van Hout (Jim Sturgess), Willem Holleeder (Sam Worthington), Jan Boellard (Ryan Kwanten), Frans Meijer (Mark van Eeuwen) e Martin Erkamps (Thomas Cocquerel) poderiam ter qualquer aptidão para arquitetar um dos mais rentáveis e famosos crimes no país, que rendeu um resgate de US$ 20 milhões. Na vida real, eles demoraram dois anos para o feito.

Para começar, roubam um banco para arcar com os custos e, enfim, sequestram o cervejeiro, que é colocado em um cativeiro construído pelos próprios criminosos. Nos conflitos inerentes às semanas de confinamento, Heineken permanece equilibrado e frio, num papel sob medida para o talento de Hopkins.

Mas é no relacionamento do grupo em que se percebe a falta de substância do roteiro. Van Hout e Holleeder, os líderes do bando (que ficam abaixo do potencial dos atores) parecem ser levados pelos acontecimentos e não os responsáveis pela ação. Mesmo Boellard, supostamente o criminoso com coração, está longe de causar alguma impressão nesse sentido. 
 
O filme tenta, de alguma forma, atenuar a falha moral do quinteto com humanismo, mas as fissuras técnicas da narrativa se sobrepõem a esse entendimento. Um produção, enfim, que em nada corresponde ao título. 
 

Rodrigo Zavala


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