Pixels

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Sinopse

Em 1982, envia-se ao espaço uma cápsula contendo amostras de vida e da cultura da Terra, incluindo videogames. Ao encontrá-los, os alienígenas levam a coisa toda a sério, encarando como declaração de guerra, construindo enormes criaturas semelhantes aos personagens dos games e partindo para uma invasão.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

21/07/2015

Se Hollywood fosse um videogame, seria possível dizer que Adam Sandler tem perdido algumas vidas nos últimos anos. No seu auge, entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, suas comédias eram não só garantia de arrecadação maior do que US$ 100 milhões, mas de satisfação de grande parte do público – ainda que não da crítica –, e o comediante ousava participar em bons projetos independentes como Embriagado de Amor (2002), de Paul Thomas Anderson. Longe disso, ele agora amarga o título de ator menos rentável de Hollywood na lista da revista Forbes por dois anos consecutivos, como prova de que o interesse da audiência por seus trabalhos não tem acompanhado o seu alto cachê.
 
No entanto, parece que na sua mais recente jogada, Sandler ganhará uma sobrevida. O astro estrela Pixels (2015), aventura dirigida por Chris Columbus que, na sua mistura de comédia e ficção científica a partir de uma premissa ao mesmo tempo boba e diferente, provavelmente conquistará uma boa parcela da plateia pela nostalgia e/ou pelo entretenimento.
 
O longa baseou-se em um inventivo curta homônimo de apenas dois minutos, criado pelo francês Patrick Jean em 2010 e ainda disponível no YouTube, que traz na animação apenas personagens e itens característicos dos clássicos videogames de 8-bits dos anos 1980 atacando Nova York. O que dizer do Pac-Man, também conhecido aqui como Come-Come, engolindo as estações de metrô ou da referência com o Donkey Kong no topo do Empire State Building? Os roteiristas Tim Herlihy – recorrente nas produções estreladas por Sandler – e Timothy Dowling, então, criaram uma história para conduzir esta invasão “pixealizada”, em um script com desdobramentos previsíveis e alguns ganchos preguiçosos, especialmente ao forçar coincidências, como o fato de Sam Brenner (Adam Sandler) prestar serviço justamente na casa da tenente-coronel Violet Van Patten (Michelle Monaghan).
 
Na trama, a NASA envia para o espaço, em 1982, uma cápsula do tempo com amostras da vida e da cultura na Terra, incluindo os jogos eletrônicos tão populares na época em que o garoto Sam (Anthony Ippolito) era o rei do fliperama do seu bairro, por pouco não vencendo o campeonato mundial. Mal-interpretados pelos alienígenas, que consideraram os videogames uma ameaça dos terráqueos, eles constroem enormes criaturas e objetos em 8-bits à imagem e semelhança de Galaga, Centopeia, Space Invaders, Pac-Man, Donkey Kong, entre outros clássicos, para invadir o possível vizinho inimigo nos tempos atuais, transformando o planeta em cenário de um grande game, em que pessoas e construções se tornam pixels.
 
O presidente dos Estados Unidos e amigo de infância de Sam, Will Cooper (Kevin James) pede a ajuda do agora desenganado técnico em eletrônica Brenner para orientar o exército no combate aos invasores. Para isso, ele também conta com o auxílio do antigo colega Ludlow Lamonsoff (Josh Gad), garoto-prodígio obcecado por Lady Lisa (Ashley Benson) – personagem de um videogame criado especialmente para a superprodução – e teorias conspiratórias, de Violet e de um velho desafeto do protagonista: Eddie Plant (Peter Dinklage, bem distante do ambiente sombrio de Game of Thrones) que o venceu e zombou dele naquela disputa em 82.
 
Adam Sandler nem surpreende nem compromete com as suas piadas típicas e, em um elenco correto, quem chama mais a atenção é Josh Gad com as obsessões de seu personagem, Peter Dinklage, junto com Andrew Bambridge na versão adolescente, no pouco espaço que lhe é dado. Denis Akiyama, na pele do criador do Pac-Man, o professor Tōru Iwatani, tem um dos melhores momentos do longa. Com um bom trabalho gráfico, de efeitos visuais e 3D, Pixels também reanima a carreira de Chris Columbus: embora tenha fundamentado a franquia Harry Potter no cinema, dirigindo os dois primeiros – e mais fracos, por sinal – filmes da série, o cineasta não realizou obras tão inesquecíveis em quase duas décadas como fez no seu apogeu nos anos 80 e 90.
 
Ainda que longe do nível dos clássicos que dirigiu, a exemplo de Uma Noite de Aventuras (1987) e Esqueceram de Mim (1990), ou roteirizou, como Gremlins (1984) e Os Goonies (1985), Columbus consegue transcender o público-alvo óbvio de gamers nostálgicos e fazer de Pixels um entretenimento leve, com lições de moral pouco profundas sobre trapaça, aparência – nisso generalizando o termo nerd – e se transformar quando a vida foge do padrão, que provavelmente será atrativo para toda a família no cinema e, daqui a poucos anos, na TV.

Nayara Reynaud


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