Homem-formiga

Ficha técnica


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Sinopse

Depois de abandonar sua vida heroica, após a morte da mulher, o cientista Henry Pym (Michael Douglas) volta à ativa para enfrentar a ameaça representada por seu ex-protegido, Darren Cross. Para ser seu novo pupilo e reencarnar o Homem-Formiga, Pym escolhe um ladrão, Scott Lang.


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Crítica Cineweb

15/07/2015

Além de sua incrível organização e colaboração no trabalho, que foi destaque em uma trinca de animações há alguns anos – Vida de Inseto (1998), Formiguinhaz (1998) e Lucas: Um Intruso no Formigueiro (2006) –, a espantosa força de uma formiga, que pode ser 20 vezes maior do que seu próprio corpo, já serviu de inspiração para a criação de alguns super-heróis. O mais conhecido do público, seja daqueles com mais de 40 anos que acompanharam o desenho animado de 1965 da Hanna Barbera ou dos mais jovens que já ouviram seu nome, é o cartunesco Formiga Atômica. Agora, o cinema apresenta um ilustre – para os fãs da Marvel – desconhecido – para as massas –, cuja alcunha se tornará cada vez mais famosa nos próximos anos: o Homem-Formiga.
 
Originalmente, o personagem, em sua primeira versão, fundou os Vingadores na história em quadrinhos. Porém, nas telas, ficou de fora da primeira formação do grupo, que trouxe os mais célebres heróis do estúdio, e alavancou outros não tão populares até então. Relegado outrora, chegou a vez de apresentá-lo ao novo público em Homem-Formiga (2015), filme solo dele que encerra a segunda fase do Universo Cinematográfico Marvel (UCM), já que ele integrará a terceira fase desta franquia de longas-metragens interligados, criada quando o próprio estúdio começou a produzir independentemente – é claro que sua fusão com a Disney ajudou posteriormente – as adaptações de suas HQ’s.
 
Na nova produção, o primeiro Homem-Formiga, o cientista Henry Pym (Michael Douglas), abandonou sua vida heroica após a morte da mulher e assim continuaria se o seu antigo protegido, Darren Cross (Corey Stoll) não representasse uma ameaça, depois de afastá-lo de sua própria empresa e tentar retrabalhar, em escusas experiências, a tecnologia desenvolvida por seu antigo tutor: a partícula Pym. É ela que permite a alteração de massa e altura, o segredo do traje do herói que também tem a capacidade de se comunicar com as formigas. Sem coragem de deixar sua filha, Hope van Dyne (Evangeline Lilly), vestir seu velho uniforme, o antigo justiceiro aposta no ladrão e exímio invasor de propriedades Scott Lang (Paul Rudd) – o segundo personagem assumiu a identidade também na HQ – para a tarefa.
 
Dar ares de Robin Hood ao roubo que o levou à prisão soa como uma tentativa forçada de mostrar a boa índole de Lang e justificá-lo como herói perante a plateia. Por outro lado, apesar de todo o sentimentalismo do lado humano da trama, satirizado em uma cena específica, o resultado da dinâmica pupilo/mentor e, principalmente, pai/filha é sincero na tela. A conturbada relação entre Hank e Hope liga o cientista ao criminoso, que só deseja se reaproximar de sua pequena Cassie (Abby Ryder Fortson); a menina, por sua vez, tem uma admiração freudiana pela figura paterna, algo que a filha de Pym, já adulta, tenta recuperar de sua tenra infância.
 
Se o foco nas relações humanas demanda uma atenção equivalente à ação em si, outro fator destoante em comparação com outros filmes da Marvel é o peso do humor aqui. O estúdio sempre investiu no tom cômico, mas seus longas estão cada vez mais urgentes e catastróficos – com exceção de Guardiões da Galáxia (2014), cujo nível de comicidade e nonsense este não consegue alcançar. Aliás, Adam McKay, colaborador constante de Will Farrell, e o próprio Paul Rudd, cuja filmografia é recheada de várias comédias, muitas delas de Judd Apatow, reescreveram o roteiro original de Edgar Wright e Joe Cornish.
 
Os créditos não escondem o envolvimento antigo de Wright, cineasta de Todo Mundo Quase Morto (2004) e Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010) que ficou anos à frente do projeto, saindo em maio do ano passado por divergências criativas com a Marvel, pois privilegiava sua visão pessoal do personagem e rejeitava o pedido do estúdio de unir a história ao grande enredo do UCM. Em seu lugar, entrou Peyton Reed, diretor de Sim, Senhor (2008), que aceitou as exigências da produção: estão lá um prólogo nas Indústrias Stark, a participação especial do Falcão (Anthony Mackie), a citação ao mais famoso herói que “volta à casa” nos próximos filmes e duas cenas pós-créditos, uma intermediária, mais ligada à trama deste longa, e a final, dando indícios do próximo lançamento.
 
Mesmo especulando-se o quão criativa teria sido a obra se mantivesse a estética e mise-en-scène de Wright, que parecem tão alinhadas ao mundo dos quadrinhos, o trabalho de última hora que Reed teve de assumir é surpreendentemente competente. É claro que a credibilidade de Douglas, o carisma inerente de Rudd e o humor de Michael Peña, que chama todos os holofotes como o digressivo amigo e ex-companheiro de Scott – a edição dinâmica de Dan Lebental e Colby Parker Jr. merecem crédito neste quesito também – contribuem e muito para o charme do filme. Mas com uma premissa que facilmente cairia no ridículo se adotasse certa grandiloquência – ainda que um pouco mais de ação faça falta –, o diretor usa todo o caráter esquisito em favor de uma história que, longe de ser original, não deixa de ser atrativa.
 
O mundo diminuto já é uma temática recorrente desde O Incrível Homem que Encolheu (1957), passando pelo clássico da Sessão da Tarde, Querida, Encolhi as Crianças (1989), mas as tecnologias atuais e o estudo das fotos macro feito por Reed e o diretor de fotografia Russell Carpenter, premiado com um Oscar por Titanic (1997), resultam em uma estética diferente.
 
Mas é no contraponto evidenciado no clímax, com a batalha microscópica sobre a locomotiva de Thomas e Seus Amigos (1984) versus a quase inalterabilidade no mundo lá fora, que Homem-Formiga mostra sua essência e seu acerto: ser uma história micro, centrada em dramas de certos humanos, dentro do universo macro da Marvel de questões e embates que colocam a humanidade em risco. O que faz você questionar: o menos às vezes é mais?

Nayara Reynaud


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