Um pouco de caos

Um pouco de caos

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Locais de filmagem


Sinopse

Quando ainda governava a França como o Rei Sol, Luís XIV exigia nada menos do que a perfeição para os jardins do palácio de Versalhes, para onde pretendia mudar sua corte em 1682. Com as ordens de que o “céu seja aqui”, o paisagista Le Notre contrata os serviços da nada ortodoxa Sra. De Barra para ajudá-lo na empreitada.


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Crítica Cineweb

01/07/2015

Mais celebrado como vilão de Duro de Matar e mago na saga Harry Potter, o ator inglês Alan Rickman tem pouco reconhecimento por aqui por sua dedicada carreira teatral ou mesmo pelo primeiro filme que dirigiu, o incompreendido Momento de Afeto (de 1997). Agora, com Um Pouco de Caos, ele quer mostrar mais de suas qualidades ao público em geral, neste romance de época que co-escreveu, ambientado na França do século XVII.

Personificando ele próprio o Rei Sol Luis XIV, em um glamour praticamente teatral, o ator e diretor leva o espectador à construção dos jardins do palácio de Versalhes. Na lista de exigências do mais absolutista dos monarcas europeus de qualquer época, seus pedidos como “que o céu seja aqui” e “paraíso” atravessam como gelo a espinha do paisagista André Le Notre (Matthias Schoenaerts),


A vontade da vez do rei é um salão de baile com fonte de água ao ar livre, que precisa harmonizar com o restante do gigantesco jardim. Quadrado como um escriba (algo curioso para quem na vida real desenhou a Champs-Élysées, por exemplo), Le Notre procura alguém original para ajudá-lo na empreitada. Encontra o tal “toque de caos” na jardineira nada ortodoxa Sra. De Barra (Kate Winslet), viúva e independente em meio ao mundo de homens. Com fantasmas próprios bem guardados em um baú, ela se entrega ao trabalho e aos braços do mestre Le Notre.

Corretíssima do ponto de vista melodramático, a produção se ampara na ambientação (no belíssimo e inglês palácio Blenheim), ressaltada pela fotografia assinada por Ellen Kuras (de Rebobine, Por Favor), e no trabalho polivalente de Winslet. Mas, no fim, a história e o próprio filme são apenas digestivos e nada mais do que convencionais.

Os deslizes não são necessariamente a falta de correspondência com a aristocracia francesa (esta que se vê é inglesa até o último chá, incluindo os figurinos reaproveitados da série de TV The Tudors), ou o embuste do trabalho de De Barra, que se mostra uma obra de engenharia, mais do que de jardinagem.

O que retira grande parte da força de Um Pouco de Caos é a falta de cuidado com os próprios personagens. Como um Le Notre apagado, com uma temerária e unidimensional atuação de Schoenaerts, o caricato irmão bissexual do rei (Stanley Tucci) e uma corte francesa, que afia as unhas para De Barra mas se mostra um grupo, praticamente, de auto-ajuda para senhoras arrasadas por perdas afetivas.

Com o orçamento micro, Rickman fez o que pôde, usando a criatividade de atores de teatro para adequar texto à produção. No entanto, usar sensibilidade moderna em drama de época não funciona nem em teatro conceitual de rua.

 

Rodrigo Zavala


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