Jornada ao oeste

Ficha técnica


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País


Sinopse

Um monge budista desloca-se pelas ruas de Marselha em passos rigorosamente lentos, movimentos compassados, causando espanto nos demais transeuntes. Um outro homem passa a segui-lo, reproduzindo seus movimentos.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

30/06/2015

O diretor malaio Tsai Ming- Liang (Cães Errantes) mergulha como nunca numa diluição da narrativa convencional nesta incursão num tipo de criação de imagens que se aproxima bem mais de uma videoinstalação do que do cinema.
 
São atores os que o acompanham no percurso. O primeiro, o francês Denis Lavant, ator-fetiche de Leos Carax em trabalhos como Holy Motors; o segundo, o próprio fetiche de Ming-Liang, Lee Kang-sheng, interpretando um monge budista que percorre diversos cenários na cidade francesa de Marselha.
 
A questão em cena é o tempo e a velocidade. O filme abre-se com um plano no rosto de Lavant por mais de oito minutos, em que ele eventualmente se move. Em paralelo, o monge se desloca pelas ruas de Marselha, causando perplexidade aos transeuntes, já que se move numa velocidada mínima, menos do que em câmera lenta.
 
Quando o monge desce a escada do que parece uma estação de trem com a luz às suas costas, cria-se uma impressão de irrealidade. As pessoas que passam por ele são envolvidas, assim, por uma espécie de auréola no contraluz, sem que se possa ver nitidamente seu rosto, numa atmosfera quase mágica e cinematograficamente muito bonita.
 
No plano seguinte, Lavant segue o monge numa rua, diante das mesas de um bar, procurando imitar o mesmo passo lentíssimo do primeiro. Parece um exercício de concentração, de autocontrole, não só dos atores em cena, como dos espectadores que se aventurarem a assistir, dispondo-se a refletir sobre o seu significado.
 
A imagem que fecha o filme, mostrando uma imagem de ponta-cabeça, fazendo as vezes de “céu” de um lugar, sobre prédios, é outro desafio à imaginação.
 
É a terceira vez que o ator Lee Kang-sheng interpreta o monge. A primeira foi em Walking on the water, um dos seis curtas que compunham Letter from the south. A segunda, em Walker, parte do filme Beautiful, apresentado na Semana da Crítica em Cannes 2012.

Neusa Barbosa


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