O Exterminador do Futuro: Gênesis

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

No futuro, depois de ser derrotada, a Skynet manda um exterminador para o passado, para matar a mãe de John Connor, o líder revolucionário dos humanos contra as máquinas. Este manda um colega para proteger sua mãe. Porém, quando o rapaz chega a 1984, percebe que as coisas estão estranhamente diferentes do que esperava.


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Crítica Cineweb

29/06/2015

O ano é 1984, e Sarah Connor é uma garçonete tentando pagar seus estudos. Assim a define John Connor (Jason Clarke) no futuro, prestes a mandar um colega – na verdade, como sabe qualquer um que conheça a série O Exterminador do Futuro, o seu pai, Kyle Reese – para aquela época, a fim de evitar que a moça seja exterminada por um ciborgue interpretado por Arnold Schwarzenegger. Até aí, O Exterminador do Futuro: Gênesis, o quinto filme da série, segue mais ou menos alinhado com o que se sabe até então sobre o enredo da franquia.
 
Mas teremos algumas reviravoltas. Sarah não é mais interpretada por Linda Hamilton, mas pela inglesa Emilia Clarke (da série Game of Thrones), e Kyle, pelo australiano Jai Courtney (Divergente). Essas, na verdade, são as menores transformações. Ao chegar nos neoliberais anos de 1980, o rapaz descobre que a moça não é mais uma indefesa garçonete, e que tem o Exterminador como seu principal protetor. Ah, e ela o chama de Papi.
 
A dupla de roteiristas do filme - Laeta Kalogridis e Patrick Lussier – e seu diretor, Alan Taylor (Thor: O Mundo Sombrio), subvertem o tempo e a mitologia da série, recriando (quase do zero) a narrativa. O fato da chegada do Exterminador a 1984 ser idêntica àquela do primeiro filme (não por acaso, lançado naquele mesmo ano) é apenas um truque para mostrar que a história pode ser reescrita pelos vencedores.
 
Gênesis combina elementos do primeiro filme, com outros do segundo, finge que o terceiro não aconteceu (ufa!) e potencializa a transformação do homem em máquina, tema do quarto longa (do qual Schwarzenegger não participou) – algo muito beneficiado aqui pelos efeitos digitais. Cerca de 3 milhões de pessoas morreram em 29 de agosto de 1997, dia do Juízo Final, quando a Skynet providenciou o seu apocalipse, tomou o poder e oprimiu os humanos. Três décadas depois, as máquinas estão perdendo a guerra, graças à liderança do revolucionário John, cujo rosto está marcado pelas cicatrizes dessa batalha. Ciente dessa derrota, Skynet envia um exterminador para matar Sarah. E os rebeldes, mandam Kyle para evitar que isso aconteça. No minuto em que o rapaz está sendo enviado para o passado, algo acontece com o líder e tudo será alterado.
 
É preciso entrar na lógica das camadas de tempo propostas pelo filme para que sua trama funcione. Ao seu modo, tudo faz sentido, por mais que as viagens no tempo pareçam aleatórias e despropositadas. Talvez nada seja muito coerente para quem não é familiarizado com a série, e com suas mitologias – embora, na verdade, este filme parta de uma reescritura de tudo isso.
 
Agora, o apocalipse da Skynet foi adiado para 2017, e é para lá que Sarah e Kyle (que ainda não sabe que será o pai de John) precisam ir. O Exterminador, ou melhor, Papi, os ajuda na viagem e passará as três décadas esperando pela chegada deles. No futuro ao qual chegam, a rede domina o mundo – tudo está sincronizado, de modo que ela possa ter acesso a todos os dados de todas as pessoas. Em poucos dias, a Skynet lançará uma novidade, que é apresentada como uma criança crescendo. Relógios espalhados pelo mundo fazem a contagem regressiva para o dia do apocalipse.
 
A partir daí, Gênesis subverte a narrativa da série, dando novo perfil aos personagens, reescrevendo a história. A questão é: quem domina essa reescritura – em outras palavras: quem é o vencedor? Se o papel de John muda radicalmente, de quem depende, então, o futuro da humanidade? E se Kyle e Sarah não se “acasalarem” (usando as palavras de Papi)? O filme, às vezes, desperdiça algumas dessas possibilidades, e perde um pouco da energia e do potencial em sua segunda metade – mas, ainda assim, reflete o seu tempo.
 
Schwarzenegger, curiosamente, serve como uma espécie de alívio cômico aqui. Seu lema é “Velho, mas não obsoleto”, e encarnando muito bem o espírito da sociedade tecnológica de nossa época, pautada pela obsolescência programada – quando eletroeletrônicos se tornam rapidamente defasados (embora, a rigor, funcionem perfeitamente), a ponto de alavancar um consumo desenfreado. A dominação da máquina em nosso tempo é a demanda incessante de trocar equipamentos que se tornam “descartáveis” cada vez mais cedo. Nesse sentido, o verdadeiro revolucionário e “líder” da resistência é o próprio Exterminador.

Alysson Oliveira


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