Jauja

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País


Sinopse

Militar e engenheiro dinamarquês em missão na Patagõnia argentina no século 19, o capitão Dinesen sofre o desgosto da fuga de sua única filha, a adolescente Ingeborg, com um soldado. Procurando sozinho por ela na vastidão desértica do lugar, ele se vê desafiado por forças que não consegue controlar.


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Crítica Cineweb

22/06/2015

Diretor de Los Muertos e Liverpool, o argentino Lisandro Alonso entregou em Jauja um filme exigente do envolvimento do espectador com seus tempos mortos e especialmente da disposição de embarcar na imaginação.
 
No cenário da desértica Patagônia, no final do século 19, quando ali se desenvolvia uma campanha militar e genocida contra os índios que passou à História como a “Conquista do Deserto”, um capitão dinamarquês (Viggo Mortensen) parte em busca de sua filha adolescente, Ingeborg (Viilbjork Malling Agger), que fugiu com um soldado.
 
Perdido na imensidão, o engenheiro militar europeu não encontra utilidade para sua experiência e sua lógica, nem em suas armas de colonizador (como o rifle e o cavalo), sucumbindo à força da natureza. Mas há também, como nos filmes de Alonso, a dimensão do inexplicado, que se desenrola a partir do encontro do capitão com uma velha senhora numa caverna (Ghita Norby) – que fala dinamarquês e tem um cão, animal que guiou o capitão até ali.
 
Este cão, além de outros objetos e detalhes, faz uma ponte com o segmento final, que se passa nos dias atuais, com a reaparição de Ingeborg e do cão num contexto inteiramente diferente. Pode-se pensar em dimensão inconsciente, em dobra do tempo, como numa ficção cientifica, mas também no eterno retorno, no renascimento das mesmas questões em épocas e pessoas diferentes, o ciclo da vida e da História, enfim. Aí está a beleza do filme de Alonso, que trabalha aqui com o fotógrafo finlandês Timo Salminen, habitual colaborador do cineasta Aki Kaurismaki e que emprestou ao visual da obra uma sensibilidade escandinava.
 
Empenhado visceralmente em seu papel, Viggo Mortensen (um norte-americano de origem dinamarquesa) foi o responsável pela quebra de um verdadeiro dogma, até aqui, na obra de Alonso – a ausência de música. Em Jauja, Viggo valeu-se de uma parceria com o guitarrista Buckethead para compor um trecho de rock usado numa sequência, e que é mais um fator de quebra do naturalismo, de estranheza, que caracteriza toda a produção.
 
O detalhe traduz muito sobre o que é o método de trabalho de Alonso, que acredita muito no envolvimento de toda a equipe para o resultado final. Como ele contou na coletiva do filme, no Cine Ceará, em que o filme participou da competição, a cena inicial, uma conversa do capitão com a filha, foi uma ideia de um dos sonoplastas do filme. Partindo daí, Viggo Mortensen criou o diálogo, que foi incorporado.
 
Jauja teve sua première mundial em 2014, em Cannes, obtendo o prêmio da Federação Internacional dos Críticos de Cinema (FIPRESCI) na seção Un Certain Regard.

Neusa Barbosa


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