O cidadão do ano

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Sinopse

Nils Dickman é um pacato e exemplar limpador de gelo, vivendo no interior da Noruega. Quando seu filho, Ingvar, morre, a polícia considera que foi um acidente, por overdose. Nils não aceita a tese e parte em busca de esclarecer e vingar a morte do filho, cruzando seu caminho com duas gangues rivais.


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Crítica Cineweb

16/06/2015

Pelo argumento central, O Cidadão do Ano, do diretor norueguês Hans Petter Moland (de Um Homem Gentil), poderia passar como mais um violento thriller criminal à la Charles Bronson, sobre um pai que resolve vingar-se pelo assassinato do filho. Mas o resultado da produção, que atenta para humanidade e até comédia, mostra um caminho, senão original, pelo menos mais arejado para o gênero.

Na linha de frente está o sueco Stellan Skarsgård, um dos atores mais admirados e versáteis do cinema escandinavo (visto em Ninfomaníaca e Os Vingadores), e assíduo colaborador de Moland. Ele faz o papel de Nils Dickman, um pacato limpador de neve no gélido interior da Noruega, cujo respeito à ordem lhe confere a honra de ser premiado como “o cidadão do ano” em sua cidade.

Porém, já nas primeiras cenas, seu filho Ingvar (Aron Eskeland) é assassinado, mas a polícia (aqui, há uma crítica à passividade da lei) acredita que ele foi vítima de uma overdose acidental. Sem apoio da instituição que deveria lhe trazer justiça, Nils arma um plano para vingar-se dos culpados.

Primeiro, identifica o inimigo, a máfia de Oslo, liderada por Ole Forsby, o Conde (Pål Sverre Hagen).  Um a um, Nils elimina os peões da quadrilha para chegar ao chefão. O que ele não percebe é que o Conde credita o desaparecimento de seus capangas na conta da máfia sérvia, com quem divide a contragosto o poder na capital.

A desinformação leva os personagens a participar de uma guerra, na qual Nils se vê envolvido, mas parece impotente frente às circunstâncias. Caberá a ele tentar dar um ponto final da discórdia, sem perder o foco de sua vendeta pessoal.

Embora a violência seja um elemento básico do conflito, Moland e o roteiro de Kim Fupz Aakeson (outro colaborador frequente do diretor) suavizam o tom sangrento com humor, a começar na composição dos vilões. O tal Conde, aqui, é retratado como um dândi vegano, cujo poder foi herdado do pai. Seus ataques infantis o tornam uma figura caricata, mas dentro de referências de comédia.
 
O mesmo pode ser dito da trupe sérvia, liderada pelo Papa (o veterano Bruno Ganz), que também combina agressividade com  situações amenas, como passar um dia se divertindo na neve. Ou mesmo da polícia, que se recusa a sair da viatura para aplicar uma multa, pois faz muito frio do lado de fora. 

Moland também trabalha com sutilezas narrativas que distraem o espectador da vilania. Não deixa de ser engenhoso que, a cada morte, o diretor use como recurso a tela negra com uma cruz e o nome do azarado. O que ocorre também quando há tiroteios e as notas de falecimento criam um mosaico na tela.

Mas é na humanidade de Nils que o filme mostra seu maior diferencial. Seja Charles Bronson, ou mais recentemente, Liam Neeson, no evoluir de suas histórias, os anti-heróis do gênero ficam cada vez mais parecido com aqueles que caçam e matam. Nils, com seu imenso limpador de neve de estrada -- profissão com insuspeita beleza cinematográfica – quer apenas um ponto final, mesmo sabendo que o caminho não tem volta. 

Rodrigo Zavala


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Comentários:
  • 23/06/2015 - 21h56 - Por Mario Viana Filmaço congelante! Tem ecos de western, de Tarantino, um quê de Buñuel (aquela tailandesa de mala no meio da neve...)! Adorei! Só achei um tiquinho fora do tom o vilão vegano ( ele mata enquanto toma suco de cenoura orgânica!)
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