Shirley - visions of reality

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Treze trabalhos do pintor e ilustrador norte-americano Edward Hopper servem como cenário ao filme, que reconstitui sua atmosfera e lhes dá um fio narrativo, em torno de Shirley, uma mulher que reflete sobre sua crise existencial, que também tem ligações com o contexto político e social.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Galeria de fotos


Crítica Cineweb

12/06/2015

Unindo com uma dramaturgia sob medida treze trabalhos do pintor norte-americano Edward Hopper (1882-1967), o cineasta austríaco Gustav Deutsch cria uma ponte criativa entre duas artes, num trabalho cuja minuciosidade visual é um façanha por si mesma.
 
Estreante no cinema, a dançarina e coreógrafa Stephanie Cumming interpreta Shirley, uma mulher que atravessa as décadas de 1930 a 1960 nos EUA, comentando, com monólogos interiores, uma série de crises pessoais, afetivas, familiares, sem desenraizar-se do contexto histórico-social.
 
Assim, estão em foco suas frustrações com o casamento com o jornalista Stephen (Christoph Bach), marcado por dias e noites de domesticidade, companheirismo mas também silêncio e tédio – enquanto Shirley sufoca os próprios desejos de tudo abandonar para retomar sua carreira de atriz.
 
Estes embates interiores acontecem nos cenários-chave de Hopper, um quarto, uma sala, um consultório, um cinema, um jardim, banhados de uma luz nunca menos do que exata, reproduzindo na tela exatamente a atmosfera de realismo estranhamento suspenso das obras do pintor.
 
Um acréscimo extremamente bem-vindo é o do contexto social e político das pinturas, que é introduzido especialmente por meio do rádio – injetando na aparente calma das cenas retratadas os efeitos da Grande Depressão, da II Guerra Mundial, do macartismo, da luta pelos direitos civis (esta, por exemplo, por meio de um discurso de Martin Luther King).
 
Um certo imobilismo na opção por esta estética “tableau vivant” – essencial para manter-se a fidelidade aos originais de Hopper – é quebrado por um uso comedido do zoom e dos closes, que reforçam sobremaneira o intimismo pretendido e servem de guia ao olhar quase voyeur do espectador.
 
Contando com a parceria do diretor de fotografia Jerzy Palacz e do câmera Dominik Danner, Deutsch assina um trabalho de beleza e consistência raros.
 
Filme de abertura do Festival FILE São Paulo 2015.

Neusa Barbosa


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança