O Homem Que Elas Amavam Demais

O Homem Que Elas Amavam Demais

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País


Sinopse

Nos anos de 1970, a família Le Roux viveu diversos problemas. O primeiro dele foi uma crise na administração do cassino. Pouco depois, a jovem herdeira da família desaparece. As suspeitas recaem sobre Agnelet, jovem mulherengo e ambicioso que além da namorar a moça era braço direito da mãe dela na direção do cassino.


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Crítica Cineweb

26/05/2015

Em O Homem que Elas Amavam Demais, o veterano cineasta francês André Téchiné está mais interessado em processos do que resultados, e, não por acaso, seu filme soa desequilibrado, concentrando-se na maior parte do tempo no cenário em que um possível crime ocorreu do que em seus desdobramentos. A base é o famoso caso Le Roux, que em meados dos anos de 1970 fez a alegria da mídia francesa quando uma jovem herdeira desapareceu sem deixar vestígios. Volta e meia o caso é ressuscitado – inclusive em 2014 – com alguma suposta nova prova contundente.
 
Téchiné escreveu o roteiro com Cédric Anger e Jean-Charles Le Roux , irmão da vítima, que, ao lado da mãe, Renée Le Roux , escreveu um livro. Claramente, o diretor está tomando o ponto de vista da família Le Roux, que por anos tentou a condenação de Maurice Agnelet, suposto assassino e amante da moça.
 
Agnelet é interpretado por Guillaume Canet, braço direito da viúva Renée (Catherine Deneuve), na direção dos cassinos da família, que não andam muito bem. Isso é um pano de fundo – se fosse o tema central, o filme se tornaria algo à lá Scorsese, mas aquilo que ficou conhecido como “A Guerra dos Cassinos” pouco importa a Téchiné. Enfim, ele investiga a relação que se estabelece entre o rapaz e a jovem herdeira Agnès (Adèle Haenel), que acaba de se separar, e monta uma lojinha. Ela é típica jovenzinha rica que procura alguma ocupação para matar o tempo e fingir que se sustenta sozinha – embora o filme tenta pintar com tintas mais generosas.
 
Acontece que os negócios da família não vão tão bem, e existem disputas internas. Agnès é fraca e facilmente manipulável, deixando se levar pelas coordenadas de Agnelet, quando logo se envolve com ele, e fica contra a mãe, fazendo com que o poder desta diminua. Durante mais de dois terços do longa, o filme acompanha essas idas e vindas entre o jovem casal, e como a moça é manipulada, ora por um, ora por outro.
 
O romance entre eles se torna cada vez mais insustentável, até que a jovem some sem deixar vestígios. Nunca mais foi encontrada – não se sabe se fugiu, se foi assassinada ou o que lá. A insistência com que Téchiné mostra água faz parecer que ela foi assassinada e jogada ao mar. Como um corpo nunca foi encontrado, o processo é bastante complicado.
 
Uma consulta à wikipedia é mais elucidativo do que o filme, lá estão detalhes que talvez sejam de grande conhecimento do público francês, mas que fora da França fazem falta no filme. Aliás, alguém mais desavisado pode nem notar que é uma história real que, até hoje, está sem desfecho. Na sua última parte, apressadamente, o diretor dá conta dos diversos processos que Renné moveu contra Agnelet. Desdobramentos recentes são contados superficialmente em letreiros rápidos que não dão conta de elucidar, nem explicar. Fosse assumidamente um drama de tribunal, O Homem... talvez conseguir criar um suspense, mas, da forma como se apresenta, é mais um filme francês sobre gente rica e entediada e seus problemas-de-gente-rica.

Alysson Oliveira


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