Para o que der e vier

Para o que der e vier

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País


Sinopse

Ben Baker é um faz-nada bipolar e chapadão, que vive se drogando com o apresentador de TV egoísta e mulherengo Steve Dallas. Quando seu pai morre, pede para o amigo acompanhá-lo ao enterro e enfrentar a autoritária irmã Terri e a madrasta de vinte e poucos anos, Angela. O encontro levará ambos a rever suas vidas e um processo de reencontro das origens e novas perspectivas de vida.


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Crítica Cineweb

29/04/2015

O escritor e produtor Matthew Weiner ficou conhecido com uma das mentes por trás de bem-sucedidas séries de TV como Os Sopranos e, em especial, Mad Men. Daí, não é de se estranhar que seu segundo longa, Para o que Der e Vier (2013) compartilhe traços de DNA com seus dramas televisivos.

Mas o que deveria ser um valor, aqui aparece como um revés. Apresenta-se o mulherengo e egoísta apresentador de TV, Steve Dallas (Owen Wilson), que passa o tempo livre se drogando com o faz-nada e bipolar Ben Baker  (Zach Galifianakis). São personagens excêntricos, que vivem para si mesmos, arrogantes em sua vida de adultos infantilizados.

O conflito vem à tona quando o pai de Ben morre e ele deve voltar à cidade natal, onde receberá a maior parte da herança (fazenda e dinheiro), em prejuízo de sua irmã Terri (Amy Poehler) e da madrasta de vinte e poucos anos, Angela (Laura Ramsey). Steve, que o acompanha, logo sente-se atraído pela jovem viúva, enquanto seu amigo se descontrola pela nova responsabilidade que seu pai, sabendo que é filho-problema, lhe deixou.

Com foco em Ben e Steve, que passam por um processo de reinvenção (ou pelo menos deveriam), Weiner usa suas personagens femininas como meros objetos de cena que servem aos propósitos dos protagonistas. O que faz sentido em Mad Men, no contexto social americano dos anos de 1960, aqui ganha um sentido perverso, na contramão de uma discussão mais contemporânea sobre o papel da mulher no cinema.

Por outro lado, o diretor também se apoia no humor provocado pelos dois personagens “chapadões”, um tanto rasteiro, diluindo-se no desenrolar da trama, que se torna mais sombria e dramática. Da metade para o fim, o filme perde coesão (sobretudo sobre a complexidade dos personagens), o que impede a provocação da desconexão de pessoas com o seu meio de cumprir-se devidamente.
 
Com o potencial de criação de Weiner, o resultado de Para o que der e vier é um tanto amargo para um filme que se vende como comédia (e não se fala aqui em humor negro). Talvez isso explique o atraso de dois anos para chegar às telas brasileiras.

Rodrigo Zavala


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