O pequeno Quinquin

O pequeno Quinquin

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País


Sinopse

Quinquin tem 11 anos e alguns problemas com os pais, por ser muito levado. Sua rotina de brincadeiras com os amigos é interrompida quando se descobre uma vaca morta, dentro da qual estão restos humanos. Um inspetor trapalhão e seu assistente tentam investigar o mistério, enquanto as mortes continuam.


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Crítica Cineweb

27/04/2015

A julgar por seus trabalhos anteriores, como A Humanidade, A Vida de Jesus e Camille Claudel, pouca gente poderia imaginar que o cineasta francês Bruno Dumont seria capaz de realizar uma comédia. Mas é exatamente dessa missão que ele se desincumbe com brilho em O Pequeno Quinquin, produzida originalmente como uma minissérie para TV em quatro capítulos e apresentada num único bloco tanto em sua première mundial, na Quinzena dos Realizadores de Cannes 2014, como na Mostra Internacional de São Paulo 2014. É neste formato único que chega ao cinema, em lançamento exclusivo no CineSesc.
 
O protagonista é um garoto de 12 anos, Quinquin (Alane Delhaye), que mora com a família numa região rural do norte da França, nos arredores de Calais. Carismático, ele foge do padrão de beleza clássica das crianças do cinema – apresenta um pequeno defeito no lábio e usa um aparelho para uma discreta deficiência auditiva. Ele é o típico moleque, capaz de inúmeras travessuras e fugindo da fúria dos pais em sua bicicleta. É bastante incompreendido, é verdade, mas sempre pode contar com sua turma, especialmente a amigona Eve (Lucy Caron). Ela, por sua vez, toca trombeta e apenas o grande afeto de Quinquin pela garota explica como ele pode suportar o horrível som que ela extrai do instrumento, apesar do seu esforço.
 
A modorra desta vida campestre é subitamente rompida quando se encontra uma vaca morta num antigo bunker abandonado da II Guerra Mundial. O local é inacessível para uma vaca e logo mais se descobrirá que dentro dela estão restos humanos – o corpo de uma mulher, sem a cabeça. Um mistério que vai esgotar as forças de uma impagável dupla de investigadores, o magrelo Carpentier (Philippe Jore) e seu chefe, o capitão Van der Weyden (Bernard Pruvost), figuraça de uma lógica plana e que distrai a plateia com a frequência e a bizarrice de seus tiques físicos e suas deduções inusitadas.
 
O crime sugere que a obsessão convive com a aparente normalidade burguesa da bucólica região, habitada por famílias de fazendeiros que vão à igreja nos domingos, trabalham em suas propriedades e visitam os parentes e os amigos. Quem pode estar cometendo crimes ali? Outros corpos aparecem, enquanto segue em paralelo a vida de Quinquin e sua turma, que atraem a animosidade do capitão.
 
O Pequeno Quinquin acerta em cheio ao criar empatia para esta turma de garotos, cujas espertezas fazem qualquer um rir, assim como as patetadas da dupla de policiais. Aos poucos, com a sequência da trama de mistério, percebe-se que o diretor continua querendo falar das mesmas coisas de sempre, ainda que numa outra chave – ou seja, de como por trás da aparente simplicidade escondem-se grandes perversões. O que Dumont coloca em questão é a própria ideia de “normalidade”, escavando em torno dela, expondo suas rachaduras diante de emoções, ciúmes, casos extra-conjugais, desentendimentos, choques racistas, preconceito contra imigrantes. Aí, o humor negro transborda, num trabalho muito original e marcante.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 10/05/2015 - 17h06 - Por marcia junqueira salowicz zanotti Achei o filme muito chato.
    Três horas e vinte é muito tempo para não deixar o espectador entediado.
    A história e lenta e sem ritmo e me desculpem os críticos de cinema é muito pouco engraçada para se rotular como comédia.
    Você espera que seja um filme com um desfecho, mas nada acontece, no final.
    Me pareceu, isto sim, uma bizarrice do diretor.
    Filmes deste tipo, ainda que tenham alguma qualidade como técnica de cinematografia e sejam tão aplaudidos por quem entende de cinema, agradam a muito poucos
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