O diário da esperança

O diário da esperança

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País


Sinopse

No final da Segunda Guerra Mundial, dois irmãos gêmeos são forçados pelos pais a viajar sozinhos ao interior para viver com a avó. Lá, são obrigados a aprender a sobreviver aos maus-tratos e ao terror da guerra, nem que para isso precisem roubar, extorquir e matar. Baseado no livro “Le Grand Cahier”, da húngara Agota Kristof.


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Crítica Cineweb

15/04/2015

O pungente declínio físico e moral embalado pela guerra são o cerne de O Diário da Esperança, asfixiante trabalho dirigido pelo húngaro János Szász (de Woyzeck). Uma adaptação do primeiro livro, não menos angustiante, Le Grand Cahier (ou “o grande diário”, em tradução simples), de uma trilogia escrita em francês pela sua compatriota Agota Kristof (inédita em português).
 
O roteiro, que segue a obra, é ambientado no final da Segunda Guerra Mundial (1944) e retrata as agruras sofridas por dois irmãos gêmeos (András e László Gyémánt), de 13 anos. Cabe dizer que Kristof apenas dá nome a esses dois personagens, Claus e Lucas, referindo-se aos demais como mãe, pai, oficial etc.; ela sequer faz referência ao país em que estão. Já o diretor retira até mesmo essa conexão social dos meninos, chamando-os e “um” e “outro”.
 
Ameaçados pela invasão nazista, os pais (Gyongyver Bognar e Ulrich Matthes) decidem enviá-los sozinhos ao interior com a avó materna (que se dirige à filha apenas para insultá-la, mesmo depois de 20 anos). Privados de qualquer proteção, são maltratados pela avó (Gyongyver Bognar), conhecida na região como “a bruxa”, tal como pela população local. O único conforto são os retratos de família e um diário, em que escrevem seus aprendizados.

Mas ambos passam a entender que apenas conseguirão sobreviver à penúria e ao drama bélico despindo-se de qualquer escrúpulo ou sentimento. Passam a roubar, chantagear e até matar, em prol da própria conservação. E seguem os exemplos que os cercam: a vizinha ladra e mentirosa, o gélido oficial nazista (suspeita-se que pedófilo), o padre obsceno e sua ajudante cruel (ridiculariza judeus que marcham para a morte).

Narrado pelos garotos, o diário torna-se cada vez mais desumano, como um manual cruel e impiedoso de resistência às adversidades. Mais do que isso, treinam o próprio corpo para não sentir dor, fome ou emoções para não demonstrar fraquezas ao mundo.

Apesar da dificuldade de adaptar uma obra tão complexa, e acertar a atmosfera e tom que Agota Kristof imprime a seus livros, o veterano Szász consegue, pelo menos, trazer o espírito da obra. Além da competência como realizador, contou com a fotografia de Christian Berger (colaborador de Michael Haneke em filmes como A Fita Branca, por exemplo), um trabalho que confere às cenas ainda mais força. Por isso, foi o candidato natural do país a disputar uma das vagas para melhor filme estrangeiro para o Oscar 2014. 

Rodrigo Zavala


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