Casa Grande

Casa Grande

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 5 votos

Vote aqui


País


Sinopse

Thales é um adolescente de classe média, que leva uma vida de conforto, sem grandes preocupações. O que ele não sabe é que seu pai está à beira da falência. Com a contenção de gastos, o motorista é despedido. Pegar ônibus para ir à escola abre um mundo novo para o rapaz.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

13/04/2015

Casa Grande é um filme sobre relações de classe no Brasil contemporâneo. Dirigido por Fellipe Barbosa – a partir de um roteiro assinado por ele e a montadora Karen Sztajnberg –, o longa investiga a derrocada de uma família de classe média alta carioca a partir do ponto de vista de um de seus membros, o jovem Jean (o ótimo estreante Thales Cavalcanti), alienado da precária situação financeira de seu pai, Hugo (um surpreendente Marcello Novaes).
 
A primeira imagem mostra a casa do título em todo seu esplendor, ao som de música clássica. Hugo e sua mulher, Sonia (Suzana Pires), têm uma vida perfeita, com seu casal de filhos, uma empregada (Clarissa Pinheiro) e um motorista (Gentil Cordeiro), que é o primeiro a ser demitido quando a falta de dinheiro altera a dinâmica da família.
Casa Grande é um filme sobre descoberta e tomada de consciência. Acreditando na mentira dos pais de que Severino está de férias, Jean passa a tomar ônibus para ir à escola. Isso lhe permite sair da bolha de conforto e descobrir que o mundo externo é bem diferente. Ele conhece Luiza (Bruna Amaya, uma grata surpresa no filme), garota de classe e escola inferiores à sua, por quem acaba se interessando.
 
Em casa, no entanto, os pais tentam manter as aparências. Sonia começa a vender pequenas bugigangas para as amigas e dar aulas de francês. Seu marido finge que nada está acontecendo. Jeanm por sua vez, parece ter apreendido os mecanismos de dominação de classe sem qualquer esforço – assedia a empregada sem qualquer pudor.
 
Uma espécie de “primo carioca” de O Som ao Redor, Casa Grande tem qualidades para caminhar sozinho, é claro. A começar pela direção segura e roteiro perspicaz. Barbosa é muito consciente de suas escolhas técnicas e narrativas e constrói a trama pela ocupação dos espaços por parte de seus personagens. Se, de um lado, existe a “casa grande” do título, obviamente existe a “senzala”. Essa, no entanto, não está apenas ao lado da moradia dos patrões – como é o caso das dependências de empregados –, mas se espalhou pela cidade toda, que parece estar à disposição da elite.
 
Premiado no Festival de Paulínia – Grande Prêmio do Júri, ator e atriz coadjuvantes (Novaes e Clarissa) e roteiro – além do Prêmio de Associação Brasileira de Críticos Cinema, na Mostra de São Paulo de 2014, Casa Grande traça um retrato agridoce de um Brasil pautado pela tensão social. Barbosa é sutil em boa parte do tempo, mas, em alguns momentos, um excesso de didatismo soa fora de hora – como a fala de Luiza sobre cotas raciais, por mais pertinente que seja, soa pouco orgânica da maneira como acontece. Esse pequeno deslize, no entanto, não diminui nem a importância e outras qualidades do filme.

Alysson Oliveira


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança