O amor é estranho

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Sinopse

George e Ben estão juntos há alguns anos, mas quando oficializam a união, o primeiro perde o emprego de professor de música, e os dois precisam sair do apartamento onde moram. Contando com a generosidade de parentes e amigos, se instalam em lugares diferentes. Precisarão enfrentar, além da distância, a especulação imobiliária.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/03/2015

Apesar do título, O Amor É Estranho talvez não seja exatamente um filme sobre amor, mas sobre como negócios imobiliários podem interferir num relacionamento. O longa começa com o casamento do pintor Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina), um professor de música. Estão juntos há muito tempo, mas só agora resolveram oficializar a união. Quando retorna ao trabalho, pouco depois, George é dispensando, pois os pais dos alunos não aceitariam sua nova situação.
 
É curioso que um sujeito com o perfil de George aceite de cabeça baixa sua demissão. Não reclama, sequer ameaça um processo por homofobia. Enfim, o que acontece é que ele e Ben não podem manter o apartamento, e precisam contar com a ajuda de amigos e parentes. Cada um deles se instala num lugar diferente, criando uma distância entre eles.
 
Ben muda-se para o Brooklyn, onde o sobrinho, Elliot (Darren Burrows), um documentarista, vive com a mulher, Kate (Marisa Tomei), e o filho adolescente, Joey (Charlie Tahan). George aceita o sofá do apartamento de um casal de amigos gays e policiais, Ted (Cheyenne Jackson) e Roberto (Manny Perez).
 
Começa também a saga do casal em busca de um novo lugar para chamar de seu. Procuram programas governamentais, apartamentos que caibam no orçamento – Ben é aposentado e George passa a dar aulas particulares – mas tudo leva tempo. Enquanto isso, mudanças começam a operar na vida de cada um deles. O pintor torna-se amigo do filho do sobrinho e seu companheiro descobre coisas novas, como a série Game of Thrones.
 
O roteiro, escrito pelo diretor Ira Sachs e o brasileiro Mauricio Zacharias – o filme é uma coprodução brasileira –, desenvolve situações a partir dos personagens, assim pinta miniaturas humanas repletas de detalhes que tentam lhes trazer realismo. É preciso, no entanto, ter simpatia (ou, ao menos, paciência) com essa classe liberal-artística de Nova York que aparece no filme. São, para usar uma expressão da moda, gente de bem, repleta de boas intenções, mas sem muito interesse em entrar a fundo em qualquer problema – talvez nem nos seus próprios. O filme depende exclusivamente da empatia com esse perfil humano – mais do que com o casal central e seu drama habitacional.

Alysson Oliveira


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