Belle e Sebastian

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Sinopse

No auge da II Guerra Mundial, 1943. o menino Sebastian junta-se a seu avô adotivo para caçar uma "fera", animal que vem atacando suas ovelhas. O garoto descobre que se trata apenas de uma cachorra assustada, de quem ele se aproxima, dando-lhe o nome de Belle. Mas o perigo maior está nos nazistas que invadiram a França.


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Crtica Cineweb

10/02/2015

De Lassie a Marley, passando por Beethoven e muitos outros, todo mundo tem algum personagem canino a lembrar quando recorda dos filmes que marcaram sua infância. Trazendo a mesma fórmula de aventura, fofura e emoção para encantar as crianças, e de quebra, os adultos, os longas protagonizados por cachorros caracterizam quase um subgênero, cujo novo exemplar é a produção francesa Belle e Sebastian (2013). Porém, o cineasta Nicolas Vanier imprime novos contextos a essa narrativa tradicional ao se basear em uma história muito conhecida na França.
 
O romance Belle et Sébastien, da atriz francesa Cécile Aubry (1928-2010), sobre a amizade de um garoto e uma cachorra selvagem, foi um grande sucesso no país. Logo, ela o adaptou para a televisão, na série homônima de 1965, estrelada pelo seu filho Mehdi El Glaoui, que faz uma participação especial neste filme como André, um dos habitantes do vilarejo. O seriado chegou a ser reexibido pela BBC, deu origem ao anime japonês Meiken Jolie (1981) e o enredo inspirou até o nome da banda escocesa de indie pop Belle and Sebastian.
 
Dada a sua importância, é surpreendente que a história tenha demorado quase 50 anos para ser levada ao cinema. Mas esse distanciamento vem de encontro a uma nova ideia do que o público infantil é capaz de assimilar. Por isso, o roteiro escrito por Juliette Sales, Fabien Suarez e o próprio Vanier altera a época e o cenário para encaixar uma subtrama mais densa: os Alpes franceses continuam como paisagem, mas em vez de se localizar na fronteira com a Itália, a narrativa foi transposta a uma pequena vila em Saint Martin, nos limites com a Suíça, no ano de 1943, em plena II Guerra Mundial.
 
É lá que vive Sebastian (Félix Bossuet), um menino de sete anos que mora com César (Tchéky Karyo) e a sobrinha dele, Angélina (Margaux Chatelier). O garoto acredita que sua mãe está na “América”, logo após as altas montanhas, o que corresponde ao que um velho pastor, a quem trata praticamente como um avô, lhe contou. Enquanto espera a volta dela, o garoto ajuda nas tarefas do pastoreio, inclusive acompanhando César na caça da “Fera” que anda matando as suas ovelhas e aterrorizando outros camponeses da região. Entretanto, quando conhece o terrível animal, Sebastian reconhece nada mais do que uma simpática, ainda que amedrontada, cadela, a quem ele chama de Belle e que se tornará uma grande amiga.
 
Além de temerem a proximidade do bicho, os habitantes também ficam intimidados por outra presença: a dos nazistas que ocupam o país e que, com um destacamento liderado pelo Tenente Peter (Andreas Pietschmann), vasculham a região para desmantelar a rota clandestina de fuga para a Suíça. O oficial alemão logo mostra interesse por Angélina, o que preocupa a bela jovem e seu namorado, o médico Guillaume (Dmitri Storoge), que justamente ajuda os judeus a ultrapassarem a fronteira.
 
A construção da sequência da perseguição a Belle deixa a desejar, assim como o conveniente esquecimento por parte de algumas pessoas de que ela é a temida Fera que caçavam a partir de determinado ponto da história. Deslizes à parte, também se destacam os velhos clichês de filmes “caninos” ou infantis, com a cadela “salvando o dia” e a execução de uma música sentimental por uma voz pueril, por exemplo. Mas, neste último caso, a canção era original da série, o que justifica a sua presença em uma produção que assume outro tom.
 
No entanto, Nicolas consegue unir esses elementos já desgastados com uma visão sobre a natureza e a humanidade que dá novo brilho à história. Documentarista de origem, o cineasta, junto com o diretor de fotografia Éric Guichard, exalta a amplitude e o contraste das cores na paisagem dos Alpes nas diferentes estações, além de mostrar com crueza a morte de animais, seja pelo ciclo natural ou pela crueldade de caçadores, logo nas primeiras cenas.
 
E se o seu primeiro longa de ficção, Loup – Uma Amizade para Sempre (2009), era sobre um rapaz do povo nômade siberiano Évène, um matador de lobos até que o encontro com uma fêmea da espécie o faz rever seus conceitos, este recente trabalho retoma a questão do julgamento precipitado e da necessidade de olhar com mais atenção ao próximo, inclusive ao seu suposto inimigo. Ideia, aliás, sintetizada na fala de um dos personagens da obra, que se tornou a segunda maior bilheteria de 2013 na França e já garantiu uma sequência com estreia prevista para este ano, ao dizer que “as pessoas não nascem más. Nem os cachorros”.

Nayara Reynaud


Trailer


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