Corações de ferro

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País


Sinopse

Nas últimas semanas da II Guerra Mundial, os Aliados lutam nos últimos bastiões das defesas nazistas, dentro do território alemão. Um dos mais destemidos pelotões está num quinteto que anda num tanque, comandado pelo durão sargento Don Collier. Quando um dos seus soldados morre, é substituído por um novato, Norman - que vai ter que se esforçar para acompanhar o ritmo dos outros, escolados em batalhas ferozes.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

02/02/2015

No drama Corações de Ferro, a guerra é feia, suja e malvada. E não há heróis edificantes do lado que venceu os nazistas, nem mesmo entre eles estando o astro Brad Pitt.
 
Pitt é o sargento Don Collier, o protagonista dúbio deste drama de guerra em que o diretor David Ayer (de Sabotage e Marcados para morrer) injeta um pouco da própria experiência militar e de uma intensa pesquisa na II Guerra Mundial, para compor uma narrativa a que não faltam crueza e cenas fortes – o que explica a classificação etária para 16 anos.
 
O roteiro original, do próprio Ayer, localiza-se nos últimos meses da II Guerra Mundial. A derrota nazista está plenamente desenhada, mas custará caro aos Aliados, devido à bravura e ao desespero de suas derradeiras manobras – o que incluiu o recrutamento de crianças.
 
No centro da luta está um quinteto de soldados, que operam um tanque Sherman - equipamento reconhecidamente inferior aos tanques alemães. Ainda assim, faz muito estrago do lado inimigo o pelotão comandado pelo sargento Collier, que inclui Boyd (Shia LaBeouf), Trini (Michael Peña), Grady (Jon Bernthal) e agora um novato, Norman (Logan Lerman).
 
O recruta, que era datilógrafo e destinado a serviços de retaguarda, é colocado no centro de uma série de encarniçadas batalhas, dentro de território alemão e sem contar com a experiência em combate dos colegas – que já sobreviveram a dramáticas campanhas no norte da África e na Normandia.
 
Este contraste de vivências incendeia o relacionamento entre os personagens, que vivem espremidos dentro do tanque, sujos, mal-alimentados, tensos diante do perigo constante. Um clima ideal para aquilo que a história quer dizer, que a guerra não tem qualquer glamour, é uma sucessão de enfrentamentos brutais, sangrentos, em que o limite de cada um é testado o tempo todo.
 
A solidariedade entre o quinteto, no entanto, é cimentada nesse mesmo circo de horrores, já que depende da atenção total de cada um a sobrevivência dos demais. Mesmo essa solidariedade é bruta e um tanto tensa, como demonstra a sequência com duas mulheres alemãs (Anamaria Trinca e Alicia Von Rittberg) – em que parece que algo horrível vai acontecer a qualquer momento, ao mesmo tempo em que se expressam camadas de humor e compaixão.
 
Nesta sequência, como em outras, evidencia-se o estrago emocional que a guerra exerce cotidianamente sobre estes soldados, sem tempo para recuperar-se dos traumas ou de enterrar seus mortos.
 
Filmado na Inglaterra – onde era mais fácil o uso de tanques reais -, com um orçamento de US$ 80 milhões, Corações de Ferro imprime realismo o bastante para ser contundente, mas também distanciamento para avaliar suas escolhas, não raro cruas e radicais. 

Neusa Barbosa


Trailer


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