Depois da Chuva

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País


Sinopse

Caio é calado e introspectivo. Em meados dos anos de 1980, descobre que lutar pelo que se acredita pode ser empolgante. É a época das Diretas Já e o rapaz decide que é hora de agir, unindo-se a um grupo anarquista.


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Crítica Cineweb

12/01/2015

Em meados dos anos de 1980, e o Brasil vivia um momento intenso de transição política com as manifestações pela volta das eleições diretas, suprimidas pela ditadura militar. Na mesma época, o grupo porto-riquenho Menudos fazia sucesso no país e o Genius era um dos brinquedos mais desejados pelas crianças. É aí que o jovem Caio (Pedro Maia, ganhador do prêmio de melhor ator no Festival de Brasília de 2013) começa a descobrir o mundo, ao se envolver com um grupo de rebeldes. “Depois da Chuva” acompanha essa transformação, mas é também um filme sobre as ilusões perdidas, sobre a construção e fugacidade das utopias.
 
Escrito por Cláudio Marques e codirigido por ele e Marília Hughes, Depois da Chuva é um filme de nostalgia, mas sem o pó do tempo que é capaz de vir junto quando se faz algo do gênero. As dúvidas e inquietações – até mesmo os equívocos – de Caio ecoam até hoje na juventude que toma as ruas. Por isso, é um filme que pulsa com o sangue juvenil da revolução – mesmo que essa seja abortada antes mesmo de começar.
 
Os diretores partem do universo pessoal de Caio para fazer um paralelo com o momento histórico do Brasil da época do filme. Calado e introspectivo, Caio é um jovem de ideias fortes, que se envolve com um grupo anarquista, responsável por uma rádio pirata chamada O Inimigo do Rei.
 
Logo na primeira cena, sabe-se que foram liberadas eleições para representante estudantil na escola onde ele estuda, mas é a diretoria que irá escolher um nome entre os três mais votados. Surge, então um impasse entre o grupo: aceitar e garantir o pouco que conseguiram ou lutar por mais, e correr o risco de perder tudo.
 
O longa aborda um período rico de nossa história e pouco explorado pelo cinema: as Diretas Já. Ao mesmo tempo, de forma sutil, explora o tema da construção do herói pela mídia, quando Tancredo Neves, eleito de forma indireta, adoeceu pouco antes de sua posse. A imprensa – especialmente a televisão – o transformou no mártir que o momento pedia. É por meio de reportagens da época que vemos, com os olhos de Caio, esse processo, que, como se sabe, iria culminar no governo de José Sarney e na frustração de várias expectativas.
 
Experientes curta-metragistas, Marília e Marques estreiam com segurança em longa-metragem, criando um filme reflexivo sobre como o processo político está inserido na vida pessoal  – mesmo a contragosto ou quando sequer nos damos conta disso. No Festival de Brasília de 2013, o filme ganhou prêmios  de roteiro e trilha sonora – além do ator Pedro Maia, que se tornou o mais jovem vencedor do troféu no evento.

Alysson Oliveira


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