Livre

Ficha técnica


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País


Sinopse

Cheryl precisa aprender a lidar com seus erros e traumas do passado. Para tal, ela decide fazer uma trilha, se embrenhando na natureza. Por meio dos desafios e da solidão, espera aprender a ser uma pessoa melhor.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/01/2015

Em sua primeira cena, Livre aponta para um caminho que, infelizmente, não segue por completo. A jovem Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) para no alto de um penhasco. Seus pés estão em frangalhos. Seu estado de visível irritação é um contraste gritante com a paz local da natureza solitária e serena. Jogar longe sua bota estropiada, enquanto berra, é um exorcismo – e é também uma forma encontrada pelo longa do canadense Jean-Marc Vallée para negar uma visão romantizada da jornada da moça.
 
Depois de perder a mãe e fazer muitas bobagens na vida, Cheryl resolve que sua salvação estará em fazer a pé a trilha Pacific Crest Trail, que vai da fronteira dos EUA com o México até o Canadá. Sem muita experiência na prática, e muitos fantasmas com os quais entrar em batalha, a garota, que tinha 26 anos na época, passa 150 dias caminhando, cruzando diversos estados de seu país, enfrentando obstáculos e conhecendo pessoas.
 
O filme parece buscar nos traumas do passado distante – pai alcóolatra e abusivo, mãe omissa – as explicações para a Cheryl do passado recente, envolvendo drogas e comportamento errático. É preciso simpatizar com a protagonista e sua causa para embarcar em sua jornada – algo que se torna difícil dadas as idas e vindas no tempo, fraturando o desenvolvimento da narrativa sem muito critério.
 
Baseado no livro de memórias da própria Cheryl, com roteiro do escritor inglês Nick Hornby, Livre é repleto de boas intenções, mas raso em seu alcance, especialmente quando se torna emocionalmente manipulador – com os flashbacks envolvendo a mãe (Laura Dern) e a jornada autodestrutiva de Cheryl nos últimos anos. A trilha, para ela, se torna uma espécie de Caminho de Santiago de Compostela – uma jornada espiritual que ela imagina que lhe trará a redenção, com pouco contato com outras pessoas. Como se fosse simples assim.
 
A direção de Vallée (O Clube de Compras Dallas, C.R.A.Z.Y.) transforma a busca de Cheryl em algo redundante, não conseguindo passar maior densidade a esse processo da personagem - como se sofrimento, arranhões e, usando as palavras da própria Cheryl, “gororoba fria” fossem suficientes para transformá-la em outra pessoa.

Alysson Oliveira


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