Domingo Sangrento

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Crítica Cineweb

14/01/2003

O diretor Paul Greengrass usa o tom documental em seu longa Domingo Sangrento para colocar o dedo numa ferida ainda não cicatrizada: o massacre ocorrido em 30 de janeiro de 1972 contra os participantes de uma marcha de protesto na Irlanda do Norte. O Domingo Sangrento, como ficou conhecido o episódio, que inspirou a famosa canção do grupo de rock U-2, conta num ritmo tenso e seco as 24 horas que antecederam e encerraram a marcha em defesa dos direitos civis comandada por Ivan Cooper na cidade de Derry.

O movimento pacifista, inspirado em Gandhi e Martin Luther King, foi reprimido com extrema violência e serviu de pretexto para o recrudescimento da ação do Exército Republicano Irlandês (IRA), espalhando ainda mais o rastro de sangue na região que luta por sua independência - e que contabiliza hoje cerca de 3.000 mortos no trágico balanço de conflitos ligados a ela.

O filme, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim deste ano, exibido no Festival do Rio BR 2002, toma um claro partido em favor dos manifestantes, mostrando que a ação repressiva das forças de choque britânicas proporcionou um banho de sangue que poderia ter sido evitado. Foram mortas 13 pessoas, a maioria jovens na faixa dos 17 anos.

James Nesbitt, um dos poucos atores profissionais do elenco, é o carismático Ivan Cooper, protestante, membro do Parlamento, que acredita no pacifismo para conseguir vencer a resistência das autoridades britânicas e chamar a atenção para a causa separatista. Tanto que a marcha organizada por ele arrebanha homens, mulheres, velhos e crianças pelas ruas por onde passa. Mas ele não sabe que os comandantes das forças policiais se preparam para dar uma dura lição aos manifestantes, encurralando-os num beco sem saída. As balas de borracha foram substituídas por munição real e os opositores se transformaram em alvos móveis fáceis de serem abatidos.

Para o espectador, resta a angústia de acompanhar a queda de cada manifestante no confronto desigual com uma tropa de choque bem treinada e preparada antecipadamente para matar. Para Ivan, o sentimento de impotência diante do massacre e até de arrependimento pela realização da marcha. Anos mais tarde, todos os oficiais que comandaram a ação e os soldados que apertaram o gatilho foram absolvidos pelas cortes militares e alguns até condecorados pela monarquia britânica.

Cineweb-22/11/2002

Luiz Vita


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