Los Nobles - Quando os ricos quebram a cara

Los Nobles - Quando os ricos quebram a cara

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 2 votos

Vote aqui


País


Sinopse

O patriarca de uma família rica cansa da folga dos filhos e resolve pregar-lhes uma peça - garante a todos que estão falidos e de agora em diante vão todos que ter de trabalhar para viver. Um vira motorista de ônibus, outro bancário e a mocinha, garçonete.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

02/12/2014

Ao terminar a exibição de Los Nobles: Quando os Ricos Quebram a Cara (2013), provavelmente o público irá cogitar se o filme mexicano não poderia ser uma produção nacional. Tanto a ideia de ver ricos sofrerem, ao menos um pouco, quanto a crítica social a que o longa anseia servem para lá, por aqui e em qualquer ponto do planeta. Além disso, o humor ligeiro marcante nas comédias brasileiras campeãs de bilheteria também está presente neste sucesso mexicano, que levou 7,5 milhões de espectadores ao cinema, arrecadando US$ 30 milhões.
 
O longa de estreia de Gary Alazraki é um remake de El Gran Calavera (1949), baseado em uma peça popular homônima de Alfredo Torrado, de 1945. O filme é um clássico, não só pelo sucesso local na época, mas por marcar o grande retorno do cineasta Luís Buñuel quando este passa a filmar no México.
 
A história atual traz a família Noble, cujo patriarca Gérman (Gonzalo Vega), um viúvo e rico empresário, decide dar uma lição aos filhos preguiçosos. O esbanjador Javi (Luis Gerardo Méndez) tem ideias de negócios mirabolantes, mas não faz nada pela empresa familiar. A esnobe Bárbara (Karla Souza, cuja semelhança com a norte-americana Amanda Peet é gritante) despreza os mais pobres e, por birra, insiste em casar com seu noivo interesseiro (Carlos Gascón). O caçula Charlie (Juan Pablo Gil) tem um estilo de vida hippie, mas a maconha e as escapadas com as professoras lhe custam a expulsão da faculdade.
 
Após um susto com sua saúde, o pai arma uma farsa para sua prole, fazendo os três acreditarem que estão falidos e precisam se esconder por um tempo em um bairro afastado. Agora, são eles que precisam sustentar a família. O mais velho se torna motorista de ônibus clandestino; a moça, garçonete; e o mais novo, bancário; em boa parte, graças à ajuda de Lucho (Ianis Guerrero), sobrinho da criada, que antes Bárbara desprezava.
 
O roteiro de Alazkari, Adrian Zurita e Patricio Saiz opta pela simplificação e, diversas vezes, abusa da lógica, fazendo com que o espectador tenha de encarar tudo como uma fábula. Não é algo difícil ao público, já que o tom cômico, se não chega a ser hilariante, é agradável. Mas se o texto tem de positivo justamente a caracterização dos personagens em suas diferentes classes sociais, a direção de arte de Rubén Bross e Alejandro Martinez Sanchez prejudica este trabalho: tudo é meio over – às vezes, brega – e os ricos não parecem tão nobres assim, anulando um pouco da diferenciação.
 
Gary não compromete a direção tecnicamente, mas também não inova em sua estreia. A câmera continuamente em contra-plongée nos protagonistas os mantém no mesmo status de altivez que tinham antes, até porque as falhas de suas personalidades ainda permanecem, só que modificadas em um novo ambiente. No entanto, o final traz uma lição de moral que recorre a resoluções fáceis e, assim o jovem cineasta reduz a crítica social – que durante toda a exibição pede um pouco mais de acidez – que pretendia com a obra.
 
Contudo, não é possível negar que o diretor atingiu o seu objetivo de fazer um filme universal a partir de um retrato do panorama social mexicano. Tanto que o sucesso de bilheteria da produção fez com que ela fosse distribuída a mais de 40 países e ganhasse uma adaptação em série do Netflix, dirigida pelo próprio Alazkari e com Luis Gerardo Méndez no elenco, que deverá abordar o cotidiano de herdeiros de um clube de futebol. Por esses motivos, não seria surpreendente se também fosse cogitado um remake brasileiro do longa.

Nayara Reynaud


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança