Boa Sorte

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Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Judite é uma dependente química, portadora de HIV, que vive numa clínica. A chegada de João, rapaz viciado em calmantes, muda a dinâmica do local. Quando os dois se envolvem, suas vidas tomam rumos inesperados.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

24/11/2014

É provável que muita gente se impressione com a drástica mudança física da atriz Deborah Secco, que interpreta uma portadora de HIV autrodestrutiva em Boa Sorte. Realmente, não é pouca a diferença física da atriz nesse filme - 11 kg mais magra, com um semblante mais sofrido. Mas concentrar-se nesse aspecto poderia levar a deixar passar despercebido  o que é mais revelador na sua interpretação: a profundidade de sentimento que ela traz a sua personagem, Judite.
Conhecemos a moça pelos olhos de João (João Pedro Zappa), garoto viciado na peculiar combinação entre o refrigerante Fanta e o calmante Frontal, que, segundo ele acredita fantasiosamente, o tornaria invisível. Essa “invisibilidade” pode ser lida como uma autodefesa radical, e também uma alegoria para o processo de amadurecimento no mundo contemporâneo e a necessidade de ajustamentos à sociedade. Nesse sentido, a clínica, onde o rapaz e Judite estão internados, funciona como uma ilha de utopia em meio à barbárie do esmagamento da individualidade no mundo exterior.
Baseado num conto do cineasta gaúcho Jorge Furtado, Frontal com Fanta– roteirizado por ele e seu filho, Pedro Furtado – e dirigido por Carolina Jabor (estreando em ficção; no seu currículo, o documentário O Mistério do Samba), Boa Sorte transita entre o delicado retrato de duas almas desesperadas, cujo encontro pode ser a salvação, e o didatismo. O que dá forma à narrativa é a relação entre os dois e aqueles que os cercam, como a médica interpretada por Cássia Kis Magro, a mãe do rapaz, Gisele Froes, e a avó de Judite, Fernanda Montenegro.
Para que o filme funcione, é fundamental uma simbiose entre Deborah e seu colega de cena, Zappa. É preciso acreditar na paixão arriscada e, ao mesmo tempo, idealizada que o garoto nutre por Judite – ela é a salvação dele, quando deveria ser o contrário. A diretora Carolina, na maior parte do tempo, deixa os personagens livres para que sua relação conduza o filme – e resulta em boas cenas, como quando “os loucos tomam conta de vez do manicômio”. É um momento em que o filme parece levantar voo, algo que não repete muitas vezes.
Alguns excessos de explicações – especialmente sobre o destino dos personagens – enfraquece aquilo que fala por si mesmo. As figuras aqui são fortes o bastante para carregarem a história  – afinal, “Boa Sorte” nada mais é que um estudo de personagens, a narrativa de seu amadurecimento. Então para que tanta interferência? Seria melhor deixar que eles vivessem mais e se justificassem menos.
Quando teve sua primeira exibição no país no Festival de Paulínia, em julho passado, muito se comparou Boa Sorte a A Culpa é das Estrelas mais pela paixão entre duas pessoas com problemas emocionais e de saúde e do que qualquer coisa. Mas o filme de Carolina é mais maduro, mais interessante, menos preocupado em querer “ser fofo” – ponto para o longa brasileiro. Se fosse para comparar mesmo, poderia se dizer que “Boa Sorte” seria uma espécie de Estranho no Ninho dirigido por Sofia Coppola – com seus matizes delicados e olhar aguçado para as personagens femininas.

Alysson Oliveira


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