Trinta

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Ficha técnica


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País


Sinopse

Deixando para trás seu Maranhão natal aos 17 anos, Joãosinho Trinta chegou ao Rio para tornar-se bailarino clássico - apesar de não ter formação nem dinheiro para isso. Vencido esse primeiro desafio, ele se aproxima da criação de figurinos e cenários, antes de cair em suas mãos, em 1974, a responsabilidade de organizar, sozinho, o desfile de carnaval do Salgueiro - não tendo nem experiência nem muito tempo para isso.


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Crítica Cineweb

10/11/2014

Desafiar estereótipos foi a missão que se impôs na vida Joãosinho Trinta (1933-2011). Menino pobre, sem formação escolar formal – foi autodidata desde criança, na sua São Luís do Maranhão natal -, baixinho e atarracado, seu sonho era tornar-se bailarino clássico. Contra toda lógica, conseguiu. Em 1951, aos 17 anos, veio para o Rio de Janeiro com pouco mais do que a cara e a coragem e, cinco anos depois, integrava o corpo de baile do Teatro Municipal carioca.
 
Foi ali também que descobriu o talento para os figurinos e cenários que o preparariam para a profissão de carnavalesco, na qual ele fez fama, idealizador de desfiles campeões ou que marcaram época, à frente de escolas como Salgueiro, Beija-Flor, Unidos da Ilha e Viradouro.
 
O cineasta Paulo Machline, realizador do documentário A raça-síntese de Joãosinho Trinta (2009), aprofunda na ficção Trinta a mística do personagem que o fascinou, imortalizado pela frase certeira: “O povo gosta de luxo, quem gosta de lixo é intelectual”. Para isso, escala um ator inequivocamente carismático, Matheus Nachtergaele, que, assim como Joãosinho, esconde na figura miúda o gigantismo de um talento múltiplo.
 
Assumindo, com um pouco de maquiagem, a morenice de Joãosinho, Matheus encarna com naturalidade nervosa a figura do protagonista, no momento crucial escolhido no enredo da ficção, o ano de 1974 – quando cai nas mãos de Joãosinho, até ali um assistente de alegorias de Fernando Pamplona (Paulo Tiefenthaler), a missão quase suicida de organizar o desfile do Salgueiro, a poucas semanas do Carnaval.
 
A escolha da data é emblemática – o que o filme pretende mostrar é a transformação de Joãosinho de figura de bastidores em líder de ponta na criação daquilo que ele mesmo definiu como “ópera de rua”, misturando elementos da cultura erudita e popular. E o faz destacando os desafios dele em impor-se em ambiente adverso, correndo contra o tempo e as próprias dúvidas para sustentar um trabalho de proporções que até ali ele não tinha encarado sozinho.
 
A solidão de Joãosinho, que enfrenta o rompimento com o próprio mentor, Pamplona; a rivalidade de Tião (Milhem Cortaz), diretor de barracão frustrado porque ambicionava o posto entregue a Joãosinho; e a própria insegurança ganham, na interpretação dedicada de Matheus, uma paleta de tons que comandam os ritmos do filme.
 
Sem nunca pretender dar conta de todos os aspectos de seu personagem,Trinta é bem-sucedido em sua missão maior – comprovar que seu herói, assim como Garrincha e Aleijadinho, pode não ter nascido perfeito, mas ninguém precisa consertar, como dizia a canção. Todos eles são assim mesmo a melhor face do Brasil. 

Neusa Barbosa


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