Cupcakes - música e fantasia

Cupcakes - música e fantasia

Ficha tcnica


Avaliao do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Pas


Sinopse

Dana, uma confeiteira de Israel, e seus amigos, são fanáticos por um importante festival de música, que acompanham juntos pela TV local. Para a noite da competição, Dana prepara cupcakes com as bandeiras dos países participantes, mas ela não está feliz. Para levantar o astral, um dos amigos compõe uma música para ela. O grupo, então, se pergunta se essa canção teria chances no festival do próximo ano.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crtica Cineweb

04/11/2014

Se, na América, as competições continentais que mobilizam boa parte da população americana se restringem mais ao futebol, sendo dado pouco destaque até aos outros esportes, na Europa, além de haver um equilíbrio maior entre os desportos, um dos eventos mais importantes do continente é um concurso musical. O Festival Eurovisão da Canção (Eurovision Song Contest) foi criado em 1956 e, desde então, mobiliza países europeus e também asiáticos e africanos – membros da associação europeia de radiodifusão podem participar – na disputa para escolher qual nação apresenta a melhor música do ano. A competição, que tem como maior feito ter revelado o grupo sueco ABBA, ganhador da edição de 1974 com Waterloo, teve uma última edição polêmica com a vitória da Áustria, representada pela drag Conchita Wurst, personagem criada por um cantor austríaco que gerou várias reações homofóbicas.
 
Só nesta pequena amostra, dá para perceber a importância do festival na Eurásia e o porquê uma sátira dele se mostra tão significativa para esse público. A paródia em questão é Cupcakes – Música e Fantasia (2013), novo filme de Eytan Fox, cineasta de Israel que ficou conhecido após o boom de seu terceiro longa, Delicada Relação (2002), que mostrava o relacionamento amoroso entre dois soldados israelenses em uma base militar na fronteira com o Líbano. O novo trabalho dele, no entanto, se distancia do tom de suas obras anteriores ao ser uma comédia leve que tem como pano de fundo uma competição tal qual o Eurovisão, mas aqui chamada de “UniverSong”.
 
A história começa justamente quando um grupo de vizinhos se reúne na casa de Anat (Anat Waxman) para assistira ao festival, com direito a cupcakes decorados com a bandeira dos países finalistas. Mas ao começar a chorar por causa de uma crise em seu casamento, a confeiteira motiva seus amigos a criarem uma música naquela mesma hora para consolá-la. Como é de se esperar nestes novos tempos, o momento foi registrado por eles em um celular; o problema é que Ofer (Ofer Shechter), o “bendito fruto” neste bando de mulheres, inscreve o vídeo para a próxima edição do UniverSong e eles são selecionados para representar Israel.
 
A partir daí, cada um dos seis inicia uma luta interior para superar seus medos e poder participar do concurso, com exceção do próprio Ofer, professor que faz apresentações travestido para seus alunos do jardim de infância, que sempre quis estar no festival, mesmo com a possibilidade disto afetar seu caso secreto com o herdeiro e garoto-propaganda de uma grande empresa de laticínios (Alon Levi). Anat vê a relação com seus filhos ser abalada quando a música se junta à confeitaria como obstáculos em sua família. A cantora alternativa Efrat (Efrat Dor), que tem a sua namorada e mais uns quatro fãs no seu pequeno público, teme que seu estilo seja deturpado se topar fazer algo assim.
 
A blogueira Keren (Keren Berger), que vive na frente de um computador, tenta lidar com este desafio para poder aproveitar a vida real. A ex-miss e agora executiva Yael (Yael Bar-Zohar) se preocupa com as consequências que a nova empreitada pode trazer para sua vida pessoal e profissional. Porém, a mais relutante é Dana (Dana Ivgy), assessora de imprensa da Ministra da Cultura (Sarit Vino-Elad) e filha de um pai rigoroso (Shimon Mimran).
 
O roteiro do próprio Eytan, em parceria com Eli Bijaoui, trilha os velhos clichês do gênero musical e de histórias semelhantes de competição, a exemplo do momento em que a curiosa banda percebe que está perdendo sua essência. Mesmo sendo um caminho tão conhecido e o filme se demonstrando até bobinho em alguns pontos, Fox consegue tornar a experiência prazerosa em boa parte da projeção, apostando no humor e em um visual vintage – também perceptível na seleção musical com canções dos anos 1970 – que fez muitos lembrarem de Pedro Almodóvar. A direção de arte de Arad Sawat investe na vivacidade na paleta de cores, que também é vista nos figurinos dos protagonistas desta produção franco-israelense, em que cada um é designado por uma cor, como fica claro na cena em que cada integrante do grupo vê Paris sob sua própria coloração.

Neusa Barbosa


Deixe seu comentrio:

Imagem de segurana