Apneia

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Sinopse

Três jovens da alta sociedade paulistana, Chris, Julia e Giovanna, buscam prazeres no mundo das baladas, sexo e drogas.


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Crtica Cineweb

04/11/2014

Quando o renomado e prolífico diretor de videoclipes – são mais de 180 em sua filmografia – Maurício Eça fizesse seu primeiro longa-metragem, era de se esperar que os jovens seriam tanto os retratados na história como o público-alvo da produção. No entanto, para quem trabalhou com nomes como Pitty, CPM22, O Rappa, Racionais MC’s, DMN e Black Alien, também se apostaria na abordagem de um universo do rock ou de indivíduos de camadas sociais menos favorecidas. Nada disso.
 
Seu longa de estreia, Apneia (2014) traz o desafio de tentar retratar o cotidiano tedioso e problemático de jovens da classe AAA, acompanhando a história de três garotas da alta sociedade paulistana em busca de algo que as satisfaça. A protagonista, Chris (Marisol Ribeiro), sofre de apneia do sono, assim como a sua mãe (Maria Fernanda Cândido), já morta, e por isso evita dormir. Para tanto, ela procura nas drogas, baladas, novos amigos e experiências um subterfúgio para ficar acordada; ou melhor, para poder seguir com a sua vida, que a própria parece não suportar.
 
Nesta busca, seu caminho acaba cruzando com o de uma colega de faculdade, Julia (Thaila Ayala), e da amiga dela, Giovanna (Marjorie Estiano). A primeira, assim como Chris, tem uma figura paterna distante e sofre a influência disso na insatisfação que têm em seus relacionamentos amorosos, oficiais ou não. As questões amorosas também afetam a outra garota, que se angustia por ser muito apaixonada pelo DJ Max (Fernando Alves Pinto), um namorado que não lhe dá atenção – e, na verdade, ainda não conseguiu esquecer sua falecida mulher, muito parecida com Gio.
 
As consequências de seus atos irão perseguir as três e, assim, Eça tenta comparar a interrupção na respiração decorrente da apneia com uma suspensão nos valores e na fruição do que é realmente essencial na vida. O problema é que, nesta tentativa, o diretor não alcança os resultados esperados, tal qual no intento de gerar no público um envolvimento com as personagens. A complexidade de seus problemas parece nunca furar a casca de futilidade do mundo que as rodeia.
 
Um fator que contribui para isso é a fotografia de Marcelo Corpanni – Bruna Surfistinha (2011) –, que chegou a afirmar que este é um filme muito colorido, o que se justificaria por uma visão onírica de Chris ou pelos momentos “despertos” de uma busca incessante por prazer na noite paulistana, por parte das coprotagonistas também. Mas a iluminação clara e “lavada” – além criar uma estética quase publicitária – se mostra inoportuna em algumas ocasiões, especialmente no interior das casas e nas cenas em que o verdadeiro “pesadelo” que é a vida delas deveria ser acentuado. O roteiro do próprio Maurício também não ajuda nesta tarefa.
 
A falta de fluidez em alguns diálogos prejudica todas as atrizes, apesar do empenho delas. Marjorie Estiano, nas poucas oportunidades que tem, demonstra seu bom trabalho já apresentado em várias novelas. Marisol Ribeiro, às vezes, passa um pouco do ponto, mas, em geral, acerta em sua protagonista. De certa maneira, é Thaila Ayala quem surpreende, por vezes, soando mais natural do que suas companheiras.
 
No mais, o cineasta mostra nesta estreia, até mais discretamente do que o esperado, a sua extensa bagagem como diretor de videoclipes, seja na edição de seu antigo parceiro Tony Tiger nos pesadelos de Chris ou na trilha sonora repleta de músicas de bandas de rock do cenário independente, com destaque para as de vocal feminino – além, é claro da cômica participação do Supla e do Paulo Ricardo como turistas estrangeiros. A impressão final é que, se conseguir ser mais eficiente na tentativa de contar uma história diferente e, ao mesmo tempo, atraente para o público em seus próximos filmes, Eça se confirmará com uma voz a ser ouvida, também no cinema.

Nayara Reynaud


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