Uma Nova Chance Para Amar

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Sinopse

Depois de ficar viúva, Nikki tem dificuldades de lidar com a perda, porém, quando conhece um homem que tem o mesmo rosto do seu marido, começa a se envolver com ele.


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Crítica Cineweb

17/09/2014

 O primeiro dos cinco estágios do luto é a negação. Quando o público soube da repentina morte do ator Robin Williams, a primeira reação deve ter sido a de negar a notícia. Porém, ao assistir um dos seus últimos filmes, Uma Nova Chance para Amar (2013), é bem possível que o espectador perceba que ainda está nessa fase inicial, pois pode ser difícil “cair a ficha” de que, daqui a pouco, não se terá mais a oportunidade de ver novos trabalhos do astro.
 
No entanto, não haveria uma obra melhor para superar essa etapa do que esta. O novo longa de Arie Posin é um delicado retrato da dor do luto, apresentado, principalmente, sob a ótica de Nikki (Annette Bening), que passa por todos os estágios deste momento, descritos no modelo de Kübler-Ross: além da negação, a raiva, a barganha e a depressão, até chegar à aceitação.
 
O filme começa mostrando a enorme sintonia existente entre ela e seu então marido, Garrett (Ed Harris) – que será retomada em alguns flashbacks –, até que isto é interrompido por um trágico acidente. Ele se afoga enquanto comemoravam os 30 anos de casamento no México e, mesmo cinco anos depois, a viúva não conseguiu aceitar completamente a morte de seu grande amor.
 
Algo inesperado acontece quando ela resolve finalmente visitar o Museu de Artes de Los Angeles, onde costumava ir com Garrett e não entrava mais desde que ele morreu. Lá, Nikki encontra um duplo de seu falecido esposo – daí em diante, fica claro como o título original The Face of Love faz muito mais sentido que o nome genérico dado à produção aqui no Brasil. Só que ela perde o estranho de vista.
 
Para descobrir quem é o misterioso homem, ela marca presença todo dia no museu, segue-o de carro, chega a “stalkea-lo” na internet e até a ir à universidade em que ele leciona Artes Plásticas. Apesar da aproximação inusitada de Nikki, o professor Tom (também interpretado por Ed Harris) aceita dar aulas particulares para a fragilizada mulher, que esconde dele o fato de ser viúva e da semelhança dele com seu ex-marido. Ao mesmo tempo, evita que seu novo relacionamento seja descoberto por sua filha Summer (Jess Weixler) e seu amigo, vizinho e também viúvo, Roger (Robin Williams).
 
O papel do ator, aliás, é pequeno e pouco explorado. Mas é curioso notar que a depressão sofrida por Robin Williams, de certo modo, era sentida em seus últimos personagens, como a tristeza, o luto e o amor recolhido apresentados por este acanhado coadjuvante. Entretanto, são as interpretações do casal principal que se destacam.
 
Ed Harris, que já foi o famoso pintor da cinebiografia Pollock (2000), novamente está entre as tintas e injeta o charme e a paciência necessários ao novo amor da protagonista, que apesar de ter o mesmo físico e gostos do antigo, possui, graças ao seu intérprete, as nuanças imprescindíveis para diferenciar um do outro. Annette Bening, com uma incrível habilidade, leva o espectador a compartilhar com sua Nikki, a dor, o medo, o encantamento, a perturbação e a paixão, especialmente quando está em primeiro plano na câmera do mexicano radicado na República Tcheca, Antonio Riestra, fotógrafo do longa de terror Mama (2013).
 
Os dois conquistam o público e seguram este segundo trabalho de Arie Posin – o primeiro foi a sátira Más Companhias (2005). Afinal, o roteiro dele com Matthew McDuffie não é redondo, o ritmo pode parecer lento, a sua direção não atinge todas as potencialidades de metáforas visuais e o final é duvidoso. Contudo, nem todo esse conjunto negativo é capaz de não tornar a exibição de Uma Nova Chance para Amar, no mínimo, agradável.

Nayara Reynaud


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