Rio, Eu Te Amo

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País


Sinopse

Dez olhares pelo Rio de Janeiro contemporâneo e o amor. Diretores como José Padilha, Andrucha Waddington, Paolo Sorrentino e Nadine Labaki exploram o amor pelas ruas da cidade.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

08/09/2014

Terceiro longa coletivo do projeto criado pelo francês Emmanuel Benbihy, chamado Cidades do Amor, Rio, Eu Te Amo, como todo filme de episódio, tem altos e baixos – mas nada muito alto, nem nada muito baixo, o que, no fim, se revela apenas um catálogo de paisagens e patrocinadores.

Ao todo, são 10 episódios, além de alguns segmentos que deveriam fazer uma transição entre eles, - protagonizados por uma professora-tradutora (Claudia Abreu) e um taxista (Michel Melamed) –, e poucos desses episódios realmente só poderiam se passar no Rio de Janeiro, os demais, caberiam sem muita alteração em qualquer canto do mundo.

Aparentemente, o único que realmente precisa ser situado no Rio é um protagonizado por Wagner Moura e o Cristo Redentor, e dirigido por José Padilha. Nele, o eterno Capitão Nascimento sobrevoa a cidade numa asa delta, e quando se depara com a estátua gigantesca faz alguns questionamentos. Como os episódios têm cerca de 10 minutos nenhum deles consegue tempo hábil para desenvolver personagens, fazer uma narrativa realmente densa. 

Cabe aos diretores e seus roteiristas lidarem bem com isso – o que é um tremendo desafio, que nem sempre alcança êxito. Corre-se o risco de transformar a narrativa apenas numa anedota – como é o caso do curta do italiano Paolo Sorrentino (A Grande Beleza), que envolve uma dondoca inglesa (Emily Mortime) e seu marido bem mais velho que parece à beira da morte (Basil Hoffman). Ou ainda outro do sul-coreano Im Sang-Soo, protagonizado por Tonico Pereira, como um maître bem peculiar.

Dos cineastas brasileiros, quem se sai melhor é Fernando Meirelles, cujo filme sem diálogos encontra no som as peculiaridades do calçadão de Copacabana. O francês Vincent Cassel (que mora no Rio) é um escultor de areia que se apaixona por uma moça, para se decepcionar mais tarde, e materializar isso em sua obra. Já o animador Carlos Saldanha (Rio) estreia na direção de não-animação,e um balé de sombras de seu curta é uma das melhores coisas do conjunto.

São tantos os personagens e tantos os clichês que alguns até soam perdidos. Por isso, o trabalho de alguns atores parece ter ficado na lixeira de algum computador na sala de edição – como é o caso de Cleo Pires, Caio Junqueira e Márcio Garcia, cujas aparições indicam que poderia haver mais cenas que acabaram ficando de fora.

Ao final, Rio, Eu Te Amo- assim como os outros dois filmes da série sobre Paris (2006) e Nova York (2012) – se mostra um tanto superficial. A prefeitura do Rio queria-porque-queria que Woody Allen filmasse na cidade. O cineasta até cogitou, mas o projeto acabou não se consolidando, e, aparentemente, se contentaram com esse filme agora exibido.

Alysson Oliveira


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