Sobrevivi ao Holocausto

Ficha técnica

  • Nome: Sobrevivi ao Holocausto
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2012
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 90 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Márcio Pitliuk, Caio Cobra
  • Elenco:

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Sinopse

Documentário acompanha Julio Gartner, judeu polonês que passou por quatro campos de concentração, sobreviveu e hoje vive em São Paulo, relembrando suas experiências. As filmagens da produção ocorreram em mais de 15 cidades, entre Polônia, Áustria, Itália, França e Brasil.


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Crítica Cineweb

22/08/2014

Um dos pontos turísticos que, provavelmente, estão no roteiro de quem visita Roma é a Cinecittà, complexo de estúdios cinematográficos, localizado na periferia da cidade histórica, onde foram gravados clássicos do neorrealismo italiano e do western spaghetti, além de produções hollywoodianas de décadas passadas e atuais. Mas pouco se ouve dizer que o local, criado na década de 1930 como instrumento da propaganda fascista, foi utilizado, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, como abrigo de refugiados, especialmente de sobreviventes do Holocausto. Um paradoxo que, talvez, sirva de metáfora para o que a sétima arte pode fazer de pior ou melhor.
 
E neste segundo quesito, Sobrevivi ao Holocausto (2012) cumpre a função do cinema de ser um refúgio, tal qual a Cinecittà, mas no que tange à proteção da memória. O documentário de Márcio Pitliuk e Caio Cobra é construído a partir da incrível história de vida de Júlio Gartner, judeu polonês que foi vítima dos nazistas. O jovem sobreviveu a quatro campos de concentração, abrigou-se no famoso complexo romano de estúdios e veio para o Brasil, onde, aos 90 anos, mora até hoje, sendo uma das poucas testemunhas vivas desse terrível momento da História da Humanidade.
 
Mais de 15 cidades serviram de cenário para as filmagens desta produção que traz o próprio Júlio, acompanhado por Marina Kagan, uma jovem brasileira de origem judia, refazendo sua trajetória, desde 1939 até 1949, quando imigrou para cá. Neste caminho, o espectador relembra junto com ele os lugares que marcaram a sua vida naquele período.
 
O lugarejo no interior da Polônia para onde o varsoviano foi com os pais no momento que a segregação aos judeus se intensificou. O esconderijo camponês em que era protegido pela população local, quando seus pais foram capturados. O gueto de Varsóvia em que morou junto com o irmão. As duras “estadias” pelos campos de concentração de Plaszow (Polônia), Mathausen, Melke e Ebensee (Áustria), além da passagem, entre a primeira e a segunda parada, por Auschwitz, campo polonês que se tornaria símbolo da tragédia que foi o massacre cometido pela Alemanha Nazista. A fuga para Strasbourg, a acolhida em cidades italianas, a escala em Paris e o desembarque no Rio de Janeiro, até a esperança brasileira encontrada na chegada a São Paulo.
 
Os passos da jornada deste sobrevivente são, em menor ou maior escala, recontados, detalhados e revividos pela dupla como forma de sobrevivência, não só da lembrança do que aconteceu com ele e milhões de perseguidos durante a Segunda Grande Guerra, mas do lembrete de como o preconceito e a intolerância podem gerar tanta crueldade. Por isso, o destaque do longa ao pouco caso, ou total descaso, com a memória do Holocausto na Áustria e da participação do país neste processo. Mesmo assim, o choro e a revolta – que soa, às vezes, exagerada – da jovem produtora de cinema e TV contrastam com o controle e serenidade do velho comerciante, cuja sabedoria da idade e da experiência da qual foi vítima lhe conferem mais carisma perante o público.
 
O filme peca mesmo quando abre espaço para os depoimentos de um rabino, historiadores e outros pesquisadores para falar sobre o tema, quando naturalmente, se espera uma abordagem mais aprofundada, diferente daquela vivida na viagem pessoal de Gartner. Porém, Pitliuk, também de origem judia e um especialista sobre Holocausto, negligencia, em seu roteiro e na direção compartilhada com Cobra, o fato de que outros povos e etnias, além dos judeus, foram perseguidos e massacrados pelos nazistas. Fora a menção a socialistas espanhóis em determinada fala de uma das entrevistadas, quem desconhece o que aconteceu naquele período não saberá, após a exibição do documentário, que as atrocidades de Adolf Hitler e seus comandados também vitimaram eslavos, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos, deficientes físicos e mentais, homossexuais, maçons e Testemunhas de Jeová.
 
Ainda sim, Sobrevivi ao Holocausto serve de alerta para que não se repitam os mesmos erros do passado no presente ou em um futuro próximo, e que não se deem conta disso tarde demais. Pois, como Julio disse, citando um poeta conterrâneo dele, a liberdade é como a saúde: “Só se sente falta quando se perde”.

Nayara Reynaud


Trailer


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